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Cotidiano

Foto: Freepik/@wirestock

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Os casos de interrupções no fornecimento de energia elétrica causados pelo contato de pipas, balões e outros objetos com as redes de distribuição vêm crescendo nos últimos anos. De janeiro até outubro de 2025, foram registradas mais de 80 mil ocorrências de objetos que atingiram a rede de distribuição no país, provocando a interrupção no fornecimento de energia para mais de 3,5 milhões de consumidores. Em 2024, essas ocorrências somaram 75 mil casos no mesmo período, uma variação de 6% na comparação.

O levantamento foi feito pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) a partir de dados da Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel. Os dados mostram que, considerando as ocorrências de 2024 e 2025, os consumidores ficaram, em média, 5h sem energia elétrica devido a esses incidentes. Na média, cada interrupção afeta, pelo menos, 145 clientes.

Tradicionalmente, o mês de julho registra os maiores volumes de interrupções. Em 2024 e 2025, foram mais de 14 mil ocorrências nesse mês. Para o presidente da Abradee, Marcos Madureira, a alta é associada às festas de São João, quando a combinação entre a soltura irregular de balões, fogueiras e o clima seco do inverno geram focos de incêndio que impactam a rede.

“É muito importante que as pessoas saibam que essas atividades associadas ao clima mais seco da época têm impacto para o fornecimento de energia para tanta gente em todo o país. Precisamos alertar para o cuidado com focos de incêndio na vegetação e orientar a população a não soltar balões e não fazer fogueiras. E, sempre que identificar focos de incêndio, é preciso ligar para os telefones do Corpo de Bombeiros ou para a distribuidora de energia elétrica da sua região. Essas são medidas que fazem toda a diferença”, alerta Madureira.

Objetos na rede de elétrica, como pipas, interrompem fornecimento a quase 1,21 milhão de clientes da Energisa

De janeiro a outubro de 2025, mais de 1,8 milhão de clientes do Grupo Energisa, que tem nove distribuidoras em 11 estados, tiveram o fornecimento de energia interrompido devido a mais de 11.200 ocorrências provocadas pelo contato de objetos estranhos que atingiram a rede elétrica, como pipas, galhos e balões.

A interrupção do fornecimento de energia causada por pipas ocorre por diversas razões. Além do risco de rompimento dos cabos, as linhas que ficam enroscadas na rede elétrica provocam desgaste na fiação, podendo ocasionar curtos-circuitos e risco de choque. Nesses casos, equipes da distribuidora precisam interromper o fornecimento para reparar ou substituir a fiação. Em setembro, 60 mil clientes ficaram sem luz em Presidente Prudente, interior paulista, depois que a linha de pipa com cerol cortou um cabo de luz da Energisa Sul Sudeste. Na ocasião, o uso do cerol, material altamente cortante, na linha da pipa impactou a operação de duas subestações de distribuição que abastecem bairros da cidade.

Também de janeiro a outubro de 2025, cerca de 2,3 milhões de clientes da Enel Brasil tiveram o fornecimento de energia impactado por ocorrências com pipas nos três estados onde a empresa atua na distribuição de energia – São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. Ao todo foram registradas mais de 6.400 chamadas relacionadas ao impacto das pipas na rede, número 26% maior em comparação ao mesmo período de 2024, quando houve 5.073 ocorrências. As cidades de São Paulo (SP), São Gonçalo (RJ), Magé (RJ), Campos dos Goytacazes (RJ) e Cabo Frio (RJ) lideram o ranking da concessionária nos registros de ocorrências do tipo.

Já a Neoenergia, que atua em distribuição nos estados da Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco, São Paulo e Minas Gerais, além do Distrito Federal, registrou mais de 100 mil interrupções no mesmo período de 2025. Só no estado da Bahia, foram mais de 70 mil incidentes.

Distribuidoras investem em tecnologia de gestão remota das redes, projetos de conscientização e parcerias com ONGs e associações de moradores

Para reduzir o impacto de problemas como objetos estranhos na rede, a Energisa iniciou em 2024 a implementação do projeto de Sistema de Gerenciamento Avançado na Distribuição. Com investimento de R$ 125 milhões, o sistema, que estará disponível em todas as distribuidoras do grupo até 2027, integra o controle e o gerenciamento da rede elétrica à central de atendimento ao cliente e ao despacho de equipes de campo. A Energisa também conta com o Programa Operar Seguro, para capacitar colaboradores próprios, terceirizados e as comunidades nas áreas de concessão sobre riscos associados à rede, como ligações clandestinas e o uso de pipas.

Além disso, até 4 de fevereiro, estarão as abertas as inscrições para o Ideathon, uma maratona criativa e colaborativa promovida pela Energisa para promover o desenvolvimento de soluções capazes de reduzir os riscos de segurança da população no contato com a rede elétrica. Universitários e profissionais podem participar do desafio, que acontecerá online em 7 de fevereiro. A iniciativa distribuirá um total de R$ 10 mil em prêmios.

A Enel também vem investindo em tecnologias para a gestão remota da rede elétrica. Durante as ocorrências, técnicos da distribuidora realizam manobras automatizadas no sistema de distribuição de energia à distância, diminuindo assim o número de unidades consumidoras afetadas e o tempo das interrupções. Em muitos casos, no entanto, é necessária a mobilização de equipes para realizar os reparos em campo, que demandam mais tempo de trabalho e até a substituição de cabos.

A Neoenergia trabalha de maneira integrada em todas as suas áreas de concessão, usando um total de mais de 19 mil religadores automáticos para minimizar os impactos das interrupções. Esses equipamentos são capazes de corrigir o problema de forma autônoma, sem necessidade de intervenção humana, reduzindo o tempo de resposta para restabelecer a energia aos clientes.