Conexão Tocantins - O Brasil que se encontra aqui é visto pelo mundo
Mundo Pet

Foto: Pexels/@AryanPrajapati

Foto: Pexels/@AryanPrajapati

O desenvolvimento cognitivo dos cães passou a integrar a rotina de tutores que buscam reduzir comportamentos inadequados e ampliar o bem-estar dos animais. A estimulação mental, aplicada por meio de desafios diários, variação de ambientes e interação estruturada, tem sido apontada como ferramenta para organizar energia, atenção e resposta comportamental. O estímulo não se limita ao adestramento tradicional e envolve práticas incorporadas ao cotidiano, em casa ou durante passeios.

“Muitos problemas de comportamento estão ligados à falta de estímulos adequados no dia a dia. Um cão precisa ser desafiado mentalmente. Estimular a inteligência é uma necessidade básica, não um luxo”, afirma Denise Neves, especialista em comportamento canino e sócia da Dog Corner. Segundo ela, a ausência de atividades cognitivas pode favorecer quadros de ansiedade, destruição de objetos e vocalização excessiva.

A orientação envolve ações que podem ser implementadas desde a fase de filhote, mas que também se aplicam a cães adultos. A variação de rotas durante os passeios, por exemplo, amplia o contato com cheiros, sons e estímulos visuais. A mudança de ambiente exige processamento de informações e favorece adaptação. Alternar ruas, incluir parques ou espaços permitidos para cães altera o repertório de experiências e contribui para respostas mais equilibradas diante de novidades.

Outra medida indicada é o uso de brinquedos interativos que exigem solução de problemas para acesso a petiscos. Esses recursos estimulam foco e persistência, além de ocupar o animal em períodos em que permanece sozinho. Ao manipular objetos para obter alimento, o cão ativa estratégias de tentativa e erro, mantendo-se engajado por mais tempo.

A alimentação também pode ser utilizada como ferramenta cognitiva. “Oferecer comida sempre no mesmo pote elimina uma oportunidade de estímulo mental. Tapetes olfativos, brinquedos dispensadores e jogos de busca transformam a refeição em atividade cognitiva e respeitam o instinto de procurar alimento”, explica Denise. A prática introduz variação na rotina e amplia o tempo dedicado à atividade alimentar.

O ensino de novos comandos, ainda que simples, integra o conjunto de estratégias. Exercícios como se deitar, girar ou tocar a mão do tutor exigem atenção e memória. A repetição organizada favorece a consolidação do aprendizado. “Aprender algo novo ativa conexões cerebrais. O mais importante é a constância do treino, e não o nível de dificuldade”, afirma a especialista.

Conheça o nosso Mundo Pet

A comunicação corporal também influencia o processo. Gestos consistentes e postura definida auxiliam o entendimento do cão, que responde a sinais visuais com rapidez. A redução de comandos verbais extensos e a adoção de sinais objetivos organizam a interação e aumentam a previsibilidade das respostas.

O enriquecimento ambiental completa o conjunto de práticas. Caixas de papelão, recipientes adaptados, objetos com texturas distintas e distribuição estratégica de petiscos pelo ambiente estimulam exploração e raciocínio. A modificação periódica desses elementos mantém o interesse e reduz comportamentos repetitivos.

A interação social, quando conduzida de forma gradual, também integra o desenvolvimento cognitivo. O contato com outros cães e pessoas amplia repertório comportamental, desde que respeitado o perfil individual do animal e observados sinais de desconforto.

“A inteligência do cão se desenvolve melhor em ambientes previsíveis. Horários definidos para passeio, brincadeiras e descanso organizam o cérebro do animal e facilitam o aprendizado”, conclui Denise. Segundo a especialista, a combinação entre rotina estruturada e desafios variados contribui para estabilidade comportamental e fortalecimento do vínculo entre tutor e cão.