Conexão Tocantins - O Brasil que se encontra aqui é visto pelo mundo
Polí­tica

Foto: Ascom MPF - TO

Foto: Ascom MPF - TO

A professora indígena e artista tocantinense Makukawa Ihajina tornou-se alvo de manifestações racistas, transfóbicas e de discurso de ódio nas redes sociais, após a circulação de um vídeo com conteúdo considerado discriminatório. O caso ganhou repercussão regional e nacional, mobilizando entidades como o Centro de Direitos Humanos e o Coletivo Somos à publicação de nota de repúdio e formalização de denúncias junto aos Ministérios Públicos Estadual e Federal.

De acordo com os documentos encaminhados, o vídeo, publicado em uma rede social, ultrapassou 700 mil visualizações em poucos dias, ampliando o alcance das mensagens ofensivas. A publicação traz elementos de deboche e exposição vexatória, associando de forma depreciativa a identidade indígena e a identidade de gênero da professora.

Após a repercussão do conteúdo, Makukawa passou a sofrer uma série de ataques virtuais, incluindo comentários ofensivos e perseguição em seu perfil pessoal, o que, segundo a denúncia, agravou os danos morais, psicológicos e sociais.

As denúncias apontam ainda indícios de que o responsável pela publicação mantém uma conduta reiterada de produção de conteúdos discriminatórios direcionados a indígenas trans, o que amplia o potencial de dano coletivo e reforça a preocupação com a disseminação de violência simbólica e digital.

Diante da gravidade dos fatos, o Coletivo Somos protocolou representações formais nos Ministérios Públicos do Estado do Tocantins e Federal, solicitando a apuração das responsabilidades civil e penal, além da adoção de medidas para retirada do conteúdo e proteção da vítima. Entre os possíveis enquadramentos jurídicos citados estão crimes de racismo, injúria racial e incitação à discriminação em meio digital .

A porta-voz do Coletivo, Thamires Lima, afirmou que o episódio exige uma resposta firme das instituições. “Não se trata de um caso isolado. Estamos diante de uma prática reiterada que atinge não apenas uma pessoa, mas toda uma coletividade. É fundamental que haja responsabilização para que esse tipo de violência não continue sendo normalizado”, declarou.

Além das denúncias, o Somos, em conjunto com o Centro de Direitos Humanos, publicou uma nota de repúdio ao caso, classificando os ataques como uma violação grave de direitos humanos e um exemplo de violência direcionada a grupos historicamente vulnerabilizados.

Em outra manifestação, Thamires destacou a importância da atuação conjunta dos órgãos públicos. “Quando há ataques dessa natureza, envolvendo racismo e transfobia, o Estado precisa agir com rigor. Nossa denúncia busca garantir não só justiça para a vítima, mas também prevenir que outras pessoas passem pela mesma situação”, disse.

Os documentos também ressaltam que, devido ao alcance nacional da publicação e à possível violação de direitos de povos indígenas, há interesse federal na apuração do caso, com possibilidade de articulação com órgãos de proteção, como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).