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Campo

O evento reuniu agricultores, técnicos e outros profissionais da agropecuária

O evento reuniu agricultores, técnicos e outros profissionais da agropecuária Foto: Jefferson Christofoletti

Foto: Jefferson Christofoletti O evento reuniu agricultores, técnicos e outros profissionais da agropecuária O evento reuniu agricultores, técnicos e outros profissionais da agropecuária

A 2ª edição do "Dia de Campo +Palhada +Soja" reuniu mais de 200 pessoas, entre produtores rurais, consultores, estudantes e parceiros, na Agrícola Invernadinha, em Paraíso do Tocantins, na última segunda-feira, 4. Promovido pela Embrapa em parceria com a Agrícola Invernadinha, a Conservation International (CI Brasil) e o Sebrae, com apoio da Secretaria de Agricultura e Pecuária do Tocantins (Seagro) e da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Tocantins (Aprosoja Tocantins), o evento apresentou soluções para o manejo sustentável do solo na região. O foco esteve em plantas de cobertura, em cultivares de alto desempenho de sorgo e no cuidado com o plintossolo pétrico, tipo de solo com alta concentração de cascalho e pedras que ocupa cerca de 20% do território do estado.

A programação técnica incluiu cinco estações de campo e duas palestras: uma do Sebrae, sobre gestão profissional da propriedade rural, e outra da Embrapa, sobre plintossolo pétrico e manejo de cobertura. Nas estações, as empresas Advanta, Oilema e Brevante trouxeram cultivares de sorgo recomendados para a região. A Mosaic abordou o cenário atual dos fertilizantes e as novidades em tecnologias de maior eficiência. A própria Agrícola Invernadinha conduziu uma estação sobre a evolução do manejo adotado na fazenda, do preparo do solo até o uso dos mix de plantas de cobertura.

À frente da Agrícola Invernadinha, a produtora rural Caroline Vilela explicou que o evento cresce a cada ano e já reflete quase uma década de aposta nas plantas de cobertura. "Há oito anos promovemos o uso de plantas de cobertura no solo, seja consorciado com milho, seja em uma janela que não entra milho", contou. Para ela, a prática responde a uma necessidade concreta da agricultura tocantinense. "O nosso estado tem condições de solo muito técnicas e clima muito adverso. A cobertura do solo propicia que a gente tenha um plantio mais seguro do que quando mantemos o solo sem palhada", disse.

O pesquisador da Embrapa, Rodrigo Munhoz, um dos idealizadores do evento e especialista em solos, destacou a importância de levar ao produtor informações sobre como manejar um solo ainda pouco conhecido, mas com potencial para a produção de grãos. Para ele, o evento é também uma vitrine do protagonismo da Embrapa no desenvolvimento de uma agricultura adaptada ao clima tropical. "A gente está divulgando a importância das plantas de cobertura para proteger esse solo, para fazer a ciclagem de nutrientes, para melhorar a matéria orgânica, para melhorar a vida, a biologia desse solo, e isso tudo já é comprovado cientificamente, que é o que melhor dá de resiliência e sustentabilidade para a agricultura nessa região tropical", afirmou.

Visão de parceiros

Matheus Leal, da CI Brasil, descreveu a iniciativa como uma oportunidade de aproximar o produtor das práticas de agricultura sustentável. "O principal objetivo é justamente expor o produtor ao contato com essas práticas, o que chamamos de agricultura sustentável, inteligente ou regenerativa, que nada mais é do que a agricultura eficiente."

Na mesma linha, a gerente regional do Sebrae Tocantins, Millena Lima, destacou a convergência entre a proposta do evento e o papel da instituição. "Ações como esse dia de campo vêm ao encontro do que nós fazemos, levando orientação e informação. Não adianta ter uma grande produtividade sem ter a gestão na fazenda", disse.

Para quem acompanhou o evento, as impressões foram positivas. O consultor Rafael da Cruz, da Plantar Consultoria Agronômica, destacou a relevância do trabalho com o plintossolo: "Quanto mais a gente aprender a lidar com esse tipo de solo, mais vai contribuir com os produtores para fomentar a produtividade". O agricultor Julio Cesar Kreuscher resumiu a experiência de forma direta: "É um evento que realmente vale a pena participar, porque a gente pode conhecer um pouco mais do nosso solo, a matéria-prima do nosso trabalho".