Em um cenário em que 91% dos brasileiros sentem que o mundo está mudando rápido demais — percepção acima da média global de 83% —, a educação se consolida como uma das principais preocupações no País. Em palestra na última quarta-feira (6), na Bett 2026, maior evento de educação da América Latina que acontece nesta semana, em São Paulo/SP, Rosi Rosendo, diretora da Ipsos-Ipec, revelou dados de pesquisas globais que traçam um panorama dos desafios da educação na era global, com um foco especial no Brasil.
De acordo com a pesquisa mensal "What Worries the World" (mar/2026), a educação já ocupa o 7º lugar no ranking de preocupações dos brasileiros, em uma lista de quase 20 temas. Essa inquietação é refletida na avaliação do sistema de ensino: segundo a pesquisa "Ipsos Education Monitor" (2025), apenas 28% da população no Brasil considera a qualidade da educação como "boa", um índice inferior à média global de 34%.
"Quando fazemos pesquisa de opinião pública com os brasileiros, as preocupações com questões econômicas, violência e pobreza sempre oscilam nas primeiras colocações. A educação estar em sétimo lugar é importante: o brasileiro anda preocupado com essa questão", destacou Rosendo durante sua apresentação aos participantes no Fórum de Gestores da Bett 2026.
Pobreza e saúde mental: os grandes desafios da juventude
A Ipsos trouxe um recorte sobre os maiores desafios enfrentados pelos jovens. Enquanto a saúde mental surge como a preocupação número 1 na média dos 30 países pesquisados (33%), no Brasil o cenário é mais complexo. Para os brasileiros, o principal desafio enfrentado pela juventude é a pobreza e a desigualdade (40%), seguida de perto pela baixa qualidade da educação (31%) e por bullying e saúde mental (ambos com 30%).
Outro ponto abordado foi a visão da população sobre o impacto da tecnologia e da Inteligência Artificial (IA) no futuro da educação. Os dados mostram uma crescente preocupação no Brasil: a percepção de que a IA terá um impacto "mais positivo do que negativo" vem caindo consistentemente, passando de 37% em 2023 para 27% em 2026. "Estamos vendo que a IA está sendo mais discutida, logo seus efeitos estão sendo mais evidentes, e a preocupação com os impactos negativos passa a ser maior", analisou Rosendo.
Apesar da desconfiança crescente com novas fronteiras tecnológicas, representadas pela IA, o Brasil está entre os 30 países analisados que mais acreditam que as redes sociais são menos problemáticas e banir é menos importante. Na comparação global, Indonésia e França são os países mais propensos a achar que as redes sociais estão entre os maiores desafios que afetam os jovens e são os que mais apoiam uma proibição.

