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Economia

O aumento da inadimplência empresarial brasileira começa a gerar reflexos que vão além da dificuldade de acesso ao crédito. Em um período que antecede datas estratégicas para o comércio e exige reforço de estoques, renegociações contratuais e maior planejamento financeiro, empresas com restrições registradas no CNPJ enfrentam obstáculos crescentes para negociar com fornecedores e manter a competitividade.

Dados do Indicador de Inadimplência de Pessoas Jurídicas do SPC Brasil mostram que o número de empresas inadimplentes cresceu 11,66% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Além disso, o volume de dívidas em atraso avançou 14,70% no período.

Segundo João Paulo Travasso Maia, Coordenador de Soluções do SPC Brasil, o histórico financeiro passou a ter peso ainda maior nas relações comerciais em um ambiente de crédito mais seletivo e juros elevados.

“Quando uma empresa apresenta restrições financeiras, o fornecedor tende a adotar medidas de proteção para reduzir riscos. Isso pode significar redução de limites de crédito, exigência de pagamentos antecipados, encurtamento dos prazos para pagamento e condições comerciais menos vantajosas”, explica.

Menor poder de compra

Além do crescimento de 11,66% no número de empresas negativadas, o volume de dívidas em atraso avançou 14,70% em um ano, ritmo superior ao da própria inadimplência.

Na prática, isso significa que mais empresas estão chegando ao segundo semestre com restrições financeiras e acumulando um número maior de compromissos em aberto. Em média, cada empresa negativada possuía R$ 7.103,21 em débitos e mantinha pendências com 1,79 credor. Esse cenário reduz o poder de barganha nas negociações com fornecedores e dificulta a obtenção de condições comerciais mais favoráveis em um período estratégico para as vendas.

Esse segundo intertítulo tende a funcionar melhor para imprensa de negócios, economia e varejo porque conecta diretamente os números à perda de competitividade das empresas.

Centro-Oeste, Sul e Norte registram os maiores avanços da inadimplência

O crescimento da inadimplência empresarial foi observado em todas as regiões do país, mas de forma mais intensa no Centro-Oeste, que registrou alta de 16,21% no número de empresas negativadas em maio. Na sequência aparecem Sul (15,10%), Norte (14,47%), Sudeste (10,02%) e Nordeste (9,42%).

O comportamento regional também se reflete na evolução das dívidas em atraso. O Centro-Oeste novamente lidera, com crescimento de 20,22%, seguido por Norte (19,13%), Sul (17,59%), Nordeste (12,96%) e Sudeste (12,58%).

De acordo com o SPC Brasil, esses números ajudam a explicar por que muitas empresas chegam ao segundo semestre com menor capacidade de negociação justamente em um momento que exige mais capital de giro e maior capacidade operacional.

Reforço de caixa e planejamento

Tradicionalmente, a segunda metade do ano concentra períodos decisivos para diversos setores da economia, como Dia dos Pais, Black Friday, Natal e vendas de fim de ano. Para aproveitar essas oportunidades, as empresas precisam antecipar compras, reforçar estoques e garantir estrutura logística adequada.

No entanto, negócios que chegam a esse período com restrições financeiras encontram mais dificuldades para acessar recursos e negociar condições favoráveis.

“Empresas negativadas acabam perdendo previsibilidade financeira. Sem acesso facilitado a crédito ou condições comerciais mais competitivas, muitas precisam reduzir pedidos, operar com estoques menores e até abrir mão de oportunidades de crescimento”, afirma João.

Credibilidade financeira se torna diferencial competitivo

Para especialistas do SPC Brasil, a reorganização financeira passa a ser um fator estratégico para empresas que desejam preservar competitividade no segundo semestre.

Entre as principais recomendações estão o acompanhamento contínuo do fluxo de caixa, a revisão de custos operacionais, a renegociação de dívidas, o fortalecimento do planejamento de capital de giro e o monitoramento constante da situação cadastral da empresa.

Outro dado que reforça a importância da recuperação financeira é que o número de empresas que conseguiram sair dos cadastros de inadimplência cresceu 3,82% nos últimos 12 meses encerrados em maio de 2026.

“Mais do que obter crédito, as empresas precisam demonstrar capacidade de gestão financeira sustentável. Em um ambiente econômico mais cauteloso, credibilidade financeira se tornou um ativo estratégico para garantir melhores negociações, preservar relacionamentos comerciais e aproveitar oportunidades de crescimento”, conclui João.