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Saúde

Foto: Marcos Sandes Filho/ Secom Araguaína

Foto: Marcos Sandes Filho/ Secom Araguaína

Quando Stella Oliveira veio ao mundo, com 25 semanas e seis dias de gestação, pesando apenas 400 gramas, a vida parecia travar uma das batalhas mais difíceis. Foram 110 dias de internação entre aparelhos, medicações e incertezas. O que ninguém imaginava é que aquele bebê frágil carregava uma força capaz de transformar dor em esperança.

Após a alta hospitalar, o acompanhamento médico revelou uma lesão cerebral decorrente da prematuridade extrema, levando ao diagnóstico de paralisia cerebral com tetraplegia espástica, condição neurológica que compromete o controle dos movimentos dos quatro membros e interfere diretamente no desenvolvimento motor, da fala e da autonomia da criança.

Encaminhada pelo pediatra para um tratamento especializado antes dos dois anos, fase decisiva para ganhos neurológicos, Stella iniciou acompanhamento no Centro Especializado em Reabilitação (CER) de Araguaína, passando pelo grupo de estimulação precoce e, posteriormente, pela fisioterapia motora especializada.

Evolução surpreendeu até os profissionais

No início, Stella não sentava, não tinha coordenação motora, não falava e apresentava rigidez intensa nos membros. Hoje, aos 3 anos, ela caminha, se alimenta sozinha, segura lápis e pincéis, fala com desenvoltura e demonstra algo ainda mais valioso: vontade de viver, brincar e ir à escola.

A mãe, Daiane Oliveira, descreve o processo com emoção e gratidão. “Foram muitos medos, muitas noites sem dormir e muitas incertezas. Eu ouvi várias vezes que ela não iria resistir. Mas a Stella resistiu. E não só resistiu, ela venceu! Cada passo que ela dá hoje é uma vitória construída com muito amor, fé e persistência". 

Foto: Marcos Sandes Filho/ Secom Araguaína

O tratamento incluiu acompanhamento com fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, nutrição, além do fornecimento gratuito de andador, cadeira de rodas e órteses, fundamentais para o progresso funcional da criança. Para a família, o suporte oferecido foi decisivo.

Responsável direto pela reabilitação de Stella, o fisioterapeuta Murilo Henrique explica que o caso é considerado raro dentro do prognóstico clínico: “A Stella apresenta um tipo de paralisia cerebral considerado mais grave, que compromete os quatro membros e todo o desenvolvimento motor. O esperado, nesses casos, é que a criança dependa permanentemente de dispositivos. Mas ela evoluiu além do esperado. Hoje, já caminha sem o andador em alguns momentos. É uma conquista enorme", disse. 

A história de Stella também revela uma realidade enfrentada por muitas famílias: a corrida contra o tempo, as dificuldades financeiras e o medo de não conseguir acesso ao tratamento adequado. Antes de ser atendida pelo CER, Daiane chegou a organizar rifas e campanhas solidárias para custear as primeiras terapias.

“Eu parei minha vida para cuidar dela. Saí do trabalho, viajei de outro município, fiz tudo o que foi necessário porque quando se trata de um filho, a gente não desiste”, conta. Hoje, a emoção da mãe é outra: a de ver a filha sonhando com a escola, brincando com outras crianças e conquistando, pouco a pouco, qualidade de vida e autonomia.

CER

O CER de Araguaína, inaugurado em 2019, é mantido pela Prefeitura e gerido em parceria com o Hospital de Amor, é referência para mais de 63 municípios da região meio-norte do Tocantins. A unidade tem capacidade para atender até 100 pacientes por dia, oferecendo reabilitação física, intelectual, visual e auditiva.

A história de Stella não é apenas sobre diagnóstico ou tratamento. É sobre persistência, fé, trabalho em equipe e, acima de tudo, sobre acreditar que cada pequeno avanço pode mudar completamente um futuro.