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Veículos

Mesmo com juros elevados e um cenário macroeconômico ainda desafiador, o financiamento de veículos no Brasil opera em patamar histórico. Em 2025, o setor registrou 7,3 milhões de unidades financiadas, o melhor resultado desde 2011, segundo dados da B3. A continuidade desse crescimento, no entanto, passa menos por estímulos conjunturais e mais por ganhos estruturais de produtividade, eficiência operacional e segurança jurídica ao longo de toda a jornada do crédito.

Além do volume recorde, o crescimento do financiamento foi impulsionado principalmente pelas regiões Nordeste e Norte, que avançaram 12,3% e 9,8%, respectivamente. Os veículos usados lideraram o mercado, com 4,6 milhões de unidades financiadas em 2025, enquanto os novos responderam por 2,6 milhões, considerando autos leves, pesados e motocicletas. O dado evidencia onde está a maior oportunidade de expansão do crédito nos próximos anos.

Esse avanço, no entanto, ocorre em um ambiente que exige execução cada vez mais eficiente e é nesse cenário que os bastidores do crédito ganham protagonismo. A formalização e o registro do contrato de financiamento com garantia real do veículo, quando realizados de forma digital e integrada, deixam de ser apenas uma etapa de conformidade e passam a atuar como um verdadeiro motor de escala. Um registro eletrônico eficiente é aquele que funciona de forma ‘invisível’: garante segurança jurídica, velocidade e previsibilidade desde a aprovação do crédito até a anotação correta da garantia junto ao órgão de trânsito. Quando esse fluxo é estável, todos os elos da cadeia se beneficiam. Instituições financeiras reduzem riscos operacionais, o varejo conclui mais vendas, o Estado opera com processos padronizados e o consumidor vivencia uma experiência mais simples, ágil e sem ruídos ou burocracias.

Para 2026, alguns vetores tendem a acelerar ainda mais esse movimento. O crédito precisa ser rápido e preciso, ou seja, reduzir o tempo entre a proposta e a liberação, elevar a taxa de conclusão das operações e manter governança de ponta a ponta tornam-se diferenciais competitivos. Processos mais fluídos tendem a reduzir desistências, especialmente em um ano com tantos feriados, além de Copa do Mundo e eleições.

Na gestão de risco, o Marco Legal das Garantias (Lei nº 14.711/2023) reposiciona a recuperação extrajudicial como um vetor de eficiência do crédito. Ao permitir que a execução da garantia siga um rito mais padronizado e previsível, encurta prazos e reduz custos de recuperação, o que favorece uma precificação mais competitiva, além de ampliar o apetite de originação das instituições financeiras.

No caso de veículos, a retomada extrajudicial, regulamentada e acompanhada pelos Detrans, tende a ser significativamente mais econômica do que a via judicial, muitas vezes com custo inferior à metade e podendo chegar a uma economia de até 75%, com efeitos práticos já na etapa de notificação eletrônica, quando aumentam as chances de regularização e negociação em poucos dias. Mais do que um mecanismo de cobrança, esse modelo fortalece incentivos à renegociação, preserva o relacionamento entre credor e devedor e eleva a probabilidade de manutenção do bem em condições compatíveis com a capacidade de pagamento do cliente.

Em 2026, o avanço virá de integrações mais robustas, validações automáticas e monitoramento contínuo. O foco está na criação de uma operação madura, capaz de entregar consistência em cada etapa. Quando governança, critérios e execução trabalham de forma integrada, o resultado é um caminho mais fluido e confiável, com escala construída de maneira natural. Isso sustenta previsibilidade, fortalece a qualidade das entregas e abre espaço para evolução contínua ao longo do tempo.

*Cristiano Dantas é diretor de Negócios da Tecnobank.