Depois de décadas de negociações, o Mercosul e a União Europeia aprovaram um acordo histórico de livre comércio, que promete transformar a dinâmica do agronegócio brasileiro e abrir oportunidades importantes para o produtor rural.
O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação sobre a maioria dos produtos comerciais entre os dois blocos, algo em torno de 91% das mercadorias exportadas pelo Mercosul para a União Europeia.
Na prática, isso significa que produtos agrícolas brasileiros como café, carnes, soja, celulose e etanol poderão entrar no mercado europeu com custos menores, tornando-se mais competitivos frente a outros fornecedores internacionais.
Mais mercado, mais oportunidade
A União Europeia já é um dos principais destinos das exportações brasileiras de produtos agropecuários mesmo antes do acordo entrar em vigor. Com as tarifas reduzidas ou eliminadas, muitos produtos que hoje enfrentam barreiras tarifárias poderão ganhar espaço no mercado europeu, com potencial para expandir as vendas brasileiras no exterior.
O Tocantins é um estado com forte presença no agronegócio, especialmente na produção de soja, milho, gado e arroz. Para muitos produtores rurais tocantinenses, especialmente aqueles que já exportam ou sonham em exportar, esse cenário pode significar novas oportunidades de crescimento e renda.
Desafios e condições
Apesar das oportunidades, o tratado não traz efeitos imediatos no curto prazo. A redução tarifária será gradual, com prazos que podem chegar a mais de uma década para certos produtos.
Além disso, o acordo também enfrenta críticas internas e externas, incluindo debates sobre competitividade e padrões de produção, principalmente na Europa, onde agricultores estão preocupados com a concorrência de produtos sul-americanos mais baratos.
Um ponto fundamental para produtores que desejam aproveitar as oportunidades abertas pelo acordo é a necessidade de atender às rigorosas exigências de qualidade e sustentabilidade da União Europeia. O mercado europeu mantém padrões elevados em segurança alimentar, controle de resíduos e rastreabilidade, o que significa que produtos exportados precisam vir de uma cadeia produtiva que comprovadamente adotam práticas de redução do impacto ambiental e de segurança sanitária. A União Europeia preserva regras rígidas de segurança alimentar e ambientais que continuam a valer mesmo após o acordo, exigindo que todas as importações respeitem esses critérios.
Para o agronegócio tocantinense, o acordo Mercosul-União Europeia representa uma janela de oportunidades para acessar um mercado sofisticado e com grande poder de compra. Contudo, aproveitar esse potencial dependerá não apenas de exportadores grandes, mas também de políticas públicas, apoio à modernização do campo e capacitação dos produtores para atender demandas internacionais.
Em um contexto global competitivo, o pacto pode ser um divisor de águas para quem planta no Tocantins, conectando o cerrado brasileiro ao mercado europeu de forma mais aberta e estratégica.
*Dr. Gabriel Soares Messias é advogado associado da Fraz Advocacia. Mestre em Prestação Jurisdicional e Direitos Humanos pela Universidade Federal do Tocantins (UFT). Especialista em Direito Empresarial (São Judas). Graduado em Direito pela Universidade Estadual do Tocantins (Unitins). Professor de Direito Civil e Empresarial da UFT/Arraias.

