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Análise Econômica

A produção industrial, mensurada pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, caiu 1,2% em dezembro, de modo que o setor não apresenta crescimento mensal desde ago/25. O resultado veio acima da nossa projeção, mas abaixo da expectativa do mercado (veja a tabela abaixo). Dessa forma, a indústria brasileira acumulou um crescimento 0,6% em 2025, consideravelmente abaixo dos 3,1% verificados em 2024.

Considerando-se as quatro grandes categorias econômicas pesquisadas, todas apresentaram retração em dezembro (veja o segundo gráfico abaixo). Os destaques negativos ficaram por conta da produção de ‘bens de capital’ (-8,3%) e de ‘bens de consumo duráveis’ (-4,4%). No caso, são duas categorias mais sensíveis ao juro.

A produção na ‘indústria de transformação’ caiu 1,9% em dezembro, o quarto mês consecutivo de retração. Por sua vez, a produção na ‘indústria extrativa’ cresceu 0,9% no mesmo mês, recuperando-se parcialmente da queda de 2,4% verificada no mês anterior. Em 2025, a produção na ‘indústria de transformação’ caiu 0,2%, enquanto subiu 4,9% no caso da ‘indústria extrativa’.

Conforme esperado, a indústria brasileira apresentou um desempenho fraco em 2025 (+0,6%). O resultado não surpreende, pois uma série de fatores sugeriam um ano mais desafiador para o crescimento da produção industrial: (I) política monetária muito contracionista; (II) base de comparação elevada no ano anterior; (III) aumento das tarifas, no segundo semestre, sobre alguns produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. De todo modo, o desempenho da indústria brasileira foi heterogêneo em 2025 (veja o terceiro gráfico abaixo), com destaque negativo para a ‘indústria de transformação’ – mais afetada pelos fatores supracitados – e positivo para a ‘indústria extrativa’, que é menos sensível ao ciclo econômico e cuja base de comparação era baixa em 2024. 

Enfim, o resultado da indústria em 2025 corrobora a hipótese de desaceleração progressiva da economia brasileira, mas sem impactos na nossa projeção de PIB de 2,3% para o ano fechado. Prospectivamente, a nossa expectativa é de que a indústria, mensurada pela PIM, apresente um crescimento mais próximo de 1,8% em 2026, principalmente por conta do ciclo de distensão monetária que começará em breve.

*Luiz Otávio Leal é economista da G5 Partners