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Saúde

Foto: Freepik/@rawpixel.com

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Tomar um “remedinho conhecido” para dor, gripe ou azia ainda é um hábito comum entre os brasileiros. Dados do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) mostram que 76,4% da população pratica automedicação. Mas, entre idosos, esse comportamento representa um risco ainda maior. Com múltiplas doenças crônicas, uso contínuo de diversos medicamentos e alterações naturais do envelhecimento, esse grupo está mais vulnerável a interações perigosas, efeitos adversos e até internações. O geriatra e professor da Afya Porto Nacional, Renato Rezende, explica por que o tema exige atenção redobrada.

Segundo o especialista, o corpo do idoso reage aos medicamentos de forma diferente. Com o envelhecimento, processos como absorção, distribuição, metabolismo e eliminação das substâncias passam a ocorrer de maneira mais lenta, processo conhecido como alterações na farmacocinética e farmacodinâmica. Isso significa que um remédio aparentemente inofensivo pode permanecer mais tempo no organismo e causar danos. “Anti-inflamatórios, por exemplo, podem desencadear úlceras gástricas, piorar a função dos rins e aumentar a pressão arterial. O idoso é mais vulnerável tanto aos efeitos adversos quanto às interações medicamentosas”, explica Rezende.

Como muitos convivem simultaneamente com diabetes, hipertensão, osteoartrose e outras condições crônicas, é comum fazer uso de vários remédios ao mesmo tempo. A inclusão de um medicamento extra, seja por indicação de vizinhos, familiares ou por sobras de tratamentos antigos, pode romper esse equilíbrio.

Alguns sinais devem acender o alerta. Confusão mental súbita, quedas, pressão desregulada, piora da diabetes e sonolência excessiva podem indicar que algo está errado. Certos remédios reduzem a pressão arterial de forma abrupta, levando a tontura e quedas que podem resultar em fraturas e internações. Outros atingem o sistema nervoso central, provocando desorientação, alterações cognitivas e risco aumentado de acidentes. “Quando um idoso está bem e começa a apresentar confusão mental, isso pode ser indício de interação medicamentosa ou efeito adverso importante”, destaca o geriatra.

O problema se agrava quando o paciente não informa ao médico os remédios tomados por conta própria. Omissões que dificultam diagnósticos precisos e podem mascarar sintomas e atrasar tratamentos. Além disso, muitos mantêm em casa estoques de remédios vencidos ou inadequados, aumentando o risco de uso incorreto.

O papel fundamental da família

A família tem papel fundamental na proteção do idoso. Enquanto houver autonomia e boa memória, o próprio paciente pode organizar sua rotina de medicamentos. Mas, quando isso não é mais possível, o apoio deve ser imediato. “Caixas organizadoras, como as chamadas pillbox, e alarmes no celular ajudam muito no controle dos horários e na redução de erros”, orienta Rezende. Ele reforça que o acompanhamento médico deve ser constante, assim como a revisão periódica de todas as medicações em uso.

Outro ponto essencial é o descarte correto de remédios vencidos, que não devem ser guardados nem jogados no lixo comum. Farmácias e unidades de saúde oferecem pontos de coleta e destinam esses materiais de forma segura, evitando riscos à saúde e ao meio ambiente.

A automedicação entre idosos pode transformar um problema simples em uma emergência médica. Para evitar complicações, a regra é evitar o uso de remédios sem orientação profissional. A supervisão médica, o cuidado da família e o uso responsável dos remédios são passos essenciais para garantir mais segurança e qualidade de vida na terceira idade.

Afya Amazônica

A Afya tem uma forte relação com a Amazônia, com 16 unidades de graduação e pós-graduação na Região Norte. O estado de Tocantins conta com três instituições de graduação: Afya Palmas, Afya Porto Nacional e Afya Unitpac (em Araguaína) e uma unidade de pós-graduação na capital tocantinense. Tem ainda nove escolas de Medicina em outros estados da Região: Acre (1) Amazonas (2), Rondônia (2) e Pará (4). Além delas, a Afya também está presente na região com 3 unidades de pós-graduação médica nas capitais Belém (PA), Manaus (AM) e Porto Velho (RO).