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Foto: Divulgação Aprosoja/TO

Foto: Divulgação Aprosoja/TO

A colheita da soja 2025/26 já está em andamento no Tocantins e confirma uma safra considerada satisfatória pelos produtores, embora com margens mais apertadas. 

De acordo com o vice-presidente da Aprosoja Tocantins, Thiago Facco, a produtividade é positiva, mas a rentabilidade preocupa. “É uma safra satisfatória, porém de pouca rentabilidade. Temos aumento de produção ao longo dos últimos anos, mas a infraestrutura logística e a capacidade estática não acompanharam esse crescimento”, avalia.

No Tocantins, o relatório da Conab aponta que as chuvas registradas em janeiro, mesmo abaixo da média histórica, foram suficientes para favorecer o desenvolvimento das lavouras e recuperar áreas que sofreram estresse hídrico em dezembro. No nordeste do estado, o início da colheita ocorreu a partir da primeira quinzena de fevereiro, com leve atraso em função da irregularidade das chuvas. Já nas regiões centro e oeste, a colheita avança com produtividades superiores às estimativas iniciais.

Apesar do desempenho produtivo, o setor enfrenta gargalos estruturais que impactam diretamente o resultado financeiro. De acordo com Facco, a precariedade das estradas vicinais e estaduais e a limitação na capacidade de armazenagem pressionam os custos logísticos. “Os caminhões ficam em filas, as tradings acabam repassando esse custo ao produtor, e isso reduz ainda mais a rentabilidade na ponta”, explica.

A presidente da Aprosoja Tocantins, Caroline Barcellos, reforça que o momento exige planejamento estratégico e articulação institucional. “O produtor tocantinense tem feito sua parte, investindo em tecnologia, ampliando produtividade e mantendo a regularidade da oferta. O que precisamos agora é de infraestrutura compatível com o crescimento da nossa produção. A competitividade do Tocantins passa, necessariamente, por estradas em boas condições, ampliação da capacidade de armazenagem e eficiência logística”, destaca.

Segundo o 5º Levantamento da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento, a produção brasileira de soja está estimada em 177,98 milhões de toneladas, com crescimento em relação ao ciclo anterior. 

Nacionalmente, na primeira semana de fevereiro, a colheita havia alcançado 17,4% da área estimada

Segunda safra avança entre as mais adiantadas do país

O atraso pontual no plantio da soja, provocado pela irregularidade das chuvas no início do ciclo, também repercutiu no calendário da segunda safra. Ainda assim, o Tocantins aparece entre os estados com maior ritmo de implantação do milho segunda safra.

Conforme a Conab, na primeira semana de fevereiro o plantio nacional do milho segunda safra havia alcançado 21,6% da área prevista, desempenho próximo à média histórica e acima do registrado no ciclo anterior. Mato Grosso lidera o avanço, seguido por Tocantins, Paraná, Pará e Mato Grosso do Sul.

A estimativa nacional para o milho segunda safra é de 17,89 milhões de hectares, com produção projetada em 109,26 milhões de toneladas.

Para a Aprosoja, o cenário reforça o protagonismo do Tocantins na produção de grãos, mas também evidencia a necessidade de investimentos estruturantes. 

“Estamos consolidando o estado entre os grandes produtores de soja do Brasil. Precisamos garantir que esse crescimento seja sustentável do ponto de vista econômico, com políticas públicas que assegurem competitividade ao produtor rural”, conclui Caroline Barcellos.

O avanço da colheita confirma a capacidade produtiva do Tocantins, mas o desafio permanece em transformar volume em rentabilidade sustentável ao produtor rural.