Conexão Tocantins - O Brasil que se encontra aqui é visto pelo mundo
Saúde

Foto: Freepik/@diana.grytsku

Foto: Freepik/@diana.grytsku

O aumento dos casos de dengue nesta época do ano acende alertas no Tocantins. Um deles, de acordo com o Sindicato dos Farmacêuticos (Sindifato), é o de atentar-se quanto às contraindicações medicamentosas para quem suspeita ou está com diagnóstico para a doença. 

Entre as cidades do Estado, algumas enfrentam cenário alarmante: é o caso de Araguaína que, de acordo com a Prefeitura, em apenas nove dias o número de casos confirmados praticamente dobrou, passando de 502 confirmações, registradas até 12 de fevereiro, para 923 até a última quinta-feira, 20. 

O presidente do Sindifato, Renato Soares, argumenta que ao sentir os sintomas, o cidadão haja com sabedoria. "Alguns medicamentos conhecidos da população interferem na coagulação do sangue, podendo ainda agredir a mucosa do estômago. Um simples ibuprofeno, por exemplo, pode causar um problemão", afirma. 

Dentre os medicamentos que devem ser evitados, estão:

Salicilatos (Aspirina)

Este é o grupo mais perigoso. O ácido acetilsalicílico (AAS) tem um efeito anticoagulante potente.

Nomes comuns: Aspirina, AAS, Melhoral, Buferin, Somalgin.

De acordo com o Sindifato, ele impede que as plaquetas (que já estão baixas na dengue) grudem umas nas outras para estancar sangramentos, aumentando drasticamente o risco de hemorragias.

Anti-inflamatórios Não Esteroides (AINES)

Estes medicamentos também afetam a função das plaquetas e podem causar irritação gástrica, o que é um perigo se o paciente já tiver tendência a sangramentos.

Nomes comuns: Ibuprofeno (Advil, Alivium), Diclofenaco (Voltaren, Cataflam), Nimesulida, Cetoprofeno (Profenid), Naproxeno (Flanax).

De acordo com o Sindifato, além de aumentar o risco hemorrágico, podem sobrecarregar os rins, que já estão sob estresse devido à desidratação causada pela dengue.

Corticoides (Em fase inicial)

O uso de corticoides por conta própria não é recomendado, especialmente no início da doença.

Nomes comuns: Prednisona, Dexametasona, Betametasona.

O risco: Eles podem mascarar sintomas e até prejudicar a resposta imunológica inicial do corpo contra o vírus.

Sintomas e o que tomar

Os principais sintomas da dengue são febre, dores no corpo, na cabeça e atrás dos olhos, além de fadiga. Se surgirem outros, como dores abdominais intensas, vômitos excessivos que impedem a hidratação e a alimentação, hipotensão, diminuição da quantidade de urina e sangramentos nasais e gengivais, é imprescindível procurar atendimento médico imediato. Estes sintomas indicam que a doença está se agravando.

principal "medicação" para a dengue, assegura o Sindifato, é a hidratação rigorosa. O paciente deve beber água, sucos e soro caseiro constantemente, mesmo sem sede.

Para febre e dor (os sintomas mais comuns) os protocolos de saúde indicam apenas dois analgésicos e antitérmicos: Paracetamol - respeitando sempre a dose máxima diária para não sobrecarregar o fígado; e Dipirona - é geralmente a preferida por ser eficaz contra a dor no corpo e febre alta. Ambos não aumentam o risco de sangramentos, uma das complicações mais graves da doença. 

No entanto, o Sindifato reforça que o uso desses medicamentos não anula a necessidade de consulta médica. A entidade orienta que o cidadão procure uma unidade de saúde para confirmar por meio de exame. "Em caso de sintomas, não se automedique. Consulte sempre um farmacêutico ou procure a unidade de saúde mais próxima", acrescenta o presidente Renato.