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Foto: Freepik/@aleksandarlittlewolf

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As exportações de carne bovina do Brasil registraram ganhos robustos nos dois primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, refletindo avanços importantes tanto em volume quanto em valor das vendas para seus principais destinos, entre eles Estados Unidos, União Europeia, Chile e Rússia, além da China, que se mantém como maior comprador. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira, 27, pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). 

De acordo com a Abrafrigo, o bom ritmo das vendas neste início de ano é um forte indicativo de que as medidas de salvaguardas impostas pela China às importações de carne bovina devem ter impacto reduzido para o Brasil neste ano. Os Estados Unidos, segundo maior comprador da carne bovina brasileira, mantêm elevado déficit de abastecimento, com estimativa de necessidade de importações de 2,5 milhões de toneladas em 2026 (conforme informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos – USDA) e forte dependência de importações. Além disso, outros mercados como Chile, Rússia, Egito, Emirados Árabes, México e Arábia Saudita também apresentaram crescimento expressivo de importações de carne bovina do Brasil no primeiro bimestre do ano. A guerra no Oriente Médio, dependendo de sua extensão e implicações, pode ser um fator prejudicial às exportações brasileiras deste ano, devido por exemplo ao aumento nos custos logísticos. Contudo, o efeito sobre as exportações brasileiras para aquele mercado é limitado, uma vez que o Oriente Médio foi responsável por 6,65% das receitas com exportações de carne bovina em 2025 (US$ 1,22 bilhão) e de 8,5% no primeiro bimestre de 2026 (US$ 244 milhões).

Ainda de com a Abrafrigo, é preciso considerar, ainda, que o Brasil passa por uma mudança do ciclo pecuário, com valorização dos animais de reposição e redução do abate de fêmeas, o que deverá resultar em menor oferta de carne bovina em 2026 para fazer frente à demanda para exportações. Além disso, há ainda boas perspectivas de consolidação e abertura de novos mercados, como Vietnã, Indonésia, Japão e Coreia do Sul, o que deverá contribuir para manter aquecida a demanda pela carne bovina brasileira no mercado internacional. Dessa forma, mesmo considerando um cenário em que o Brasil esgote sua participação na quota da China (livre da tarifa de 55%), a tendência é de que o aumento da demanda em outros mercados e a restrição pelo lado da oferta mantenha forte a demanda por animais para atender as exportações de carne bovina deste ano.

No acumulado de janeiro e fevereiro, as vendas de carnes in natura e industrializada, além de miudezas comestíveis e outros subprodutos de bovinos foram responsáveis por receitas de US$ 2,865 bilhões (+39%) e a movimentação 557,24 mil toneladas (+22%). Em 2025, a receita foi de US$ 2,065 bilhões e a movimentação de 455,97 mil toneladas. 

As informações são da Abrafrigo, que compilou os dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Segundo a entidade, em fevereiro de 2026 as exportações do setor alcançaram US$ 1,449 bilhão (+39,57%) com embarques de 279,26 mil toneladas exportadas (+28,64%). Em 2025, fevereiro teve receita de US$ 1,038 bilhão com embarques de 217,08 mil toneladas.

A China permanece como principal destino da carne bovina brasileira neste primeiro bimestre do ano, registrando crescimento de 36% frente ao mesmo período do ano anterior, para US$ 1,221 bilhão, com embarques de 223,7 mil toneladas (+21,7%). A participação chinesa no total das exportações se reduziu para 42,6% no primeiro bimestre de 2026, frente a 43,4% no mesmo período de 2025. Quando se consideram apenas as vendas de carne bovina in natura, a participação chinesa foi de 46,5% no primeiro bimestre de 2026, ante 48,6% no primeiro bimestre de 2025, evidenciando o crescimento relativo de outros mercados. Os preços médios de exportações de carne bovina in natura para a China tiveram valorização de 12% no primeiro bimestre de 2026, em comparação ao primeiro bimestre do ano anterior, para US$ 5.461 por tonelada.

As vendas de carne bovina in natura para os Estados Unidos, segundo maior comprador externo, cresceram 97,3% no primeiro bimestre de 2026, para US$ 379 milhões, enquanto o volume embarcado teve um incremento de 60%, para 63,08 mil toneladas. No total, as vendas de carne e subprodutos bovinos para os Estados Unidos alcançaram US$ 448,7 milhões no primeiro bimestre do ano (+56,8%). Os preços médios de exportações de carne bovina in natura para os Estados Unidos tiveram valorização de 23,4% no primeiro bimestre de 2026, em comparação ao primeiro bimestre do ano anterior, para US$ 6.015 por tonelada.

A União Europeia é outro mercado que segue crescendo firme e com perspectivas favoráveis após a aprovação do Acordo Comercial com o Mercosul. No primeiro bimestre de 2026, as vendas de carne bovina in natura para o bloco europeu cresceram 24,6% em receitas, para US$ 121,4 milhões, e 18,8% em volume, para 14,17 mil toneladas. Os preços médios de exportações de carne bovina in natura para a União Europeia apresentaram valorização de 4,85% no primeiro bimestre de 2026, em comparação ao primeiro bimestre do ano anterior, para US$ 8.568 por tonelada.

Na América do Sul, o Chile manteve desempenho sólido, com crescimento de 22,4% no volume importado, que atingiu 23.609 toneladas, enquanto o valor das compras avançou 29,3%, totalizando cerca de US$ 135,9 milhões.

A Rússia, por sua vez, apresentou uma das expansões mais expressivas entre os 20 maiores compradores, subindo para a quinta posição. As importações de carne bovina provenientes do Brasil cresceram 106,6% em volume, atingindo 23.349 toneladas, enquanto o valor das compras avançou 132,3%, para aproximadamente US$ 102,6 milhões, refletindo o fortalecimento da presença brasileira naquele mercado.

Os dados dos dois primeiros meses de 2026 apontam para um cenário de expansão das exportações brasileiras de carne bovina, impulsionado principalmente pela Ásia, pelo Oriente Médio e por mercados emergentes, enquanto alguns destinos específicos apresentaram ajustes ou retrações pontuais. O resultado reforça o papel do Brasil como um dos principais fornecedores globais de proteína bovina em um contexto de demanda internacional ainda aquecida. No total, 109 países aumentaram suas importações, enquanto outros 42 reduziram as aquisições.