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Saúde

Foto: Divulgação SES/TO

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Em 2025, o Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (HU Brasil), registrou 71 atendimentos por acidentes com serpentes, um número que preocupa, já que a picada de cobra pode causar dor, inchaço, sangramentos e, nos casos mais graves, complicações como infecções, alterações na coagulação e comprometimento renal.

Os dados mostram uma maior concentração de ocorrências na faixa etária de 40 a 59 anos, com 25 casos. As demais faixas registraram 18 atendimentos, entre 20 e 39 anos, 11 entre bebês e crianças de zero a nove anos, dez entre jovens de dez a 19 anos e sete entre pessoas com 60 anos ou mais.

De acordo com a médica Alexsandra Rossi, do HDT-UFNT/HU Brasil, a maioria dos casos foi causada por serpentes do tipo botrópico, provenientes de cobras como jararaca, jararacuçu, urutu, cotiara, cruzeira e caiçara. Em seguida, aparecem os acidentes não especificados ou por outras espécies, com 27 registros. Também foram contabilizados casos do tipo crotálico (cascavel) e do tipo elapídico, como corais verdadeiras.

A profissional salienta que boa parte dos pacientes atendidos no Hospital de Doenças Tropicais por acidentes ofídicos é composta por homens. “São predominantemente adultos jovens, geralmente na faixa dos 20 aos 40 anos. Em muitos casos, são pessoas em atividade laboral ou em momentos de lazer no momento do acidente. Na nossa região, a espécie mais frequentemente envolvida nos acidentes é a Bothrops moojeni, conhecida popularmente por diferentes nomes, como jararaca, jaracuçu, jararaca-rabo-de-osso e jaracuçu-maia-de-cascavel”, esclarece.

Prevenção e atendimento rápido

Alexsandra aconselha a população a prevenir esses ataques com ações como o uso de botas e perneiras em áreas consideradas de risco. “É muito importante ter cuidado ao mexer em mato, entulho ou locais onde a serpente possa estar escondida. Em caso de acidente, a orientação é manter a pessoa calma, evitar torniquete ou qualquer medida caseira e procurar atendimento médico o mais rápido possível”, informa.

Em situações onde a picada já aconteceu, é fundamental procurar atendimento médico o mais rápido possível, manter a pessoa em repouso, evitar torniquete, cortes e também não oferecer bebidas alcoólicas. “É importante reforçar que o atendimento rápido faz toda a diferença, porque o uso precoce do soro antiofídico reduz bastante o risco de complicações. Sempre que possível, se for seguro, a identificação da serpente também pode ajudar, mas sem colocar ninguém em risco. Também é importante lembrar que, em nossa região, ainda existe o costume de não oferecer água ao paciente após a picada, mas a hidratação é fundamental, desde que a pessoa esteja consciente e sem dificuldade para engolir”, alerta Alexsandra.