Em abril é comemorado o Dia da Engenharia (10/04), uma data que nos convida a refletir: por que a carreira de engenharia já não desperta tanto interesse como antes? Como podemos mudar esse cenário?
Como liderança na construção civil, vejo de perto a queda no interesse pelos cursos de engenharia. E como engenheiro, me preocupo com as implicações de haver cada vez menos colegas de profissão no Brasil.
Os dados chamam a atenção: apenas 12% dos estudantes do ensino médio querem cursar engenharia; há 23% menos calouros nos cursos do que há 10 anos; o número dos que concluem a graduação cai em níveis inquietantes.
A inquietação se justifica. O déficit de engenheiros no Brasil pode chegar a um milhão de profissionais em 2030, o que comprometeria áreas estratégicas como pesquisa, infraestrutura, energia e tecnologia; programas estruturantes, como o Minha Casa, Minha Vida; o desenvolvimento de setores como a Construção Civil.
Na raiz disso, uma combinação perigosa: defasagem na formação em matemática; altos custos da graduação; insegurança com o mercado de trabalho; a distância entre os cursos e as aspirações geracionais de integração entre disciplinas, inovação e impacto social.
Fato é que precisamos – agora e cada vez mais – de engenheiros. Há muito por fazer e a engenharia tem tudo a ver com isso: a formação molda profissionais que criam, resolvem e transformam. Engenharia é um modo de pensar, de fazer e de gerir, e ocupa posições de estratégia e de liderança e como elemento fundamental da gestão eficiente. Já o desinteresse atual é incompatível com as projeções de demanda crescente por engenheiros e de remunerações mais atraentes.
Para recuperar para a engenharia aquele lugar de carreira que faz brilhar os olhos, currículos com abordagem inicial mais prática, infraestrutura acadêmica, conexão com questões contemporâneas e ênfase no forte papel social da engenharia podem ajudar. E mais – é preciso fortalecer o ensino de matemática e ciências. Afinal, um jovem que não se interessa por matemática dificilmente vai cogitar uma carreira em engenharia.
A frase-título deste artigo era muito repetida pelo meu pai. Conselho misturado com convicção, seu sentido atravessa o tempo: engenharia é sempre a profissão do futuro, do “por fazer”, das possibilidades e perspectivas. Porque o futuro se beneficia profundamente dessa maneira de ver o mundo que a formação em engenharia entrega: pragmática, holística, resolutiva; essencial para vencer os múltiplos desafios que sua construção apresenta.
*Eduardo Fischer é CEO da MRV&CO.

