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Saúde

Foto: Freepik

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Novos casos importados de sarampo em São Paulo e no Rio de Janeiro voltaram a alertar para a vacinação contra a doença no país. A paciente paulista é uma bebê de seis meses, sem histórico de vacinação. Há registro de viagem da criança para a Bolívia entre dezembro e janeiro. No caso do Rio de Janeiro, uma mulher de 22 anos, também sem vacinação, teve o diagnóstico confirmado pelo Ministério da Saúde na primeira semana do mês. O país vizinho enfrenta um surto da doença, o que preocupa autoridades brasileiras, especialmente em regiões de fronteira. 

No ano passado, houve ao menos 38 casos importados da doença, a maioria deles no Tocantins e Mato Grosso. 

“É uma doença potencialmente grave e os casos recentes reforçam a necessidade de medidas de vigilância e profilaxia”, afirma Rafael Nogueira, médico infectologista do Sabin Diagnóstico e Saúde no Tocantins. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) informam que, em 2025, foram confirmados cerca de 14.800 casos da doença na região das Américas. 

Em 2025, foram disponibilizadas 600 mil doses de vacina para cidades fronteiriças no Mato Grosso do Sul ou estados, como o Tocantins, com grandes grupos de imigrantes oriundos de países onde o vírus circula.  O Brasil recuperou oficialmente a certificação de país livre da circulação do sarampo em novembro de 2024, concedida pela OPAS.  

O médico do Sabin ressalta que a vacinação é o melhor caminho para prevenir o sarampo. O Ministério da Saúde indica a vacina Tríplice Viral, que protege os imunizados também contra a caxumba e a rubéola, para crianças, a partir 12 meses.  A segunda dose do esquema de imunização deve ser realizada aos 15 meses com a vacina tetraviral.  Adolescentes e adultos não vacinados ou com esquema incompleto devem iniciar ou completar o esquema vacinal.   

Para aqueles até 29 anos, caso não tenham sido vacinados no período recomendado, a orientação do Programa Nacional de Imunizações é de duas doses com no mínimo um mês de intervalo. A partir dos 30 anos até 59 anos completos, quem ainda não tomou a vacina recebe dose única. Trabalhadores de saúde não imunizados previamente devem receber duas doses com intervalo de 30 dias.  

Em situações de surto, as recomendações rotineiras podem ser alteradas, sendo possível a administração de uma dose da vacina tríplice viral nas crianças entre 6 e 12 meses de idade (“dose zero”), entre outras medidas. O vírus do sarampo, do gênero Morbillivirus, pode ser transmitido por via respiratória, ao espirrar, tossir, falar e respirar. “A transmissão pode ocorrer antes que o paciente apresente sintomas típicos como as manchas no corpo”, alerta Rafael. “Como circula em outros países e pode voltar a circular no Brasil é importante os adultos verificarem se foram imunizados na infância. O sarampo, como sabemos, é uma doença potencialmente grave. Os pacientes em dúvida, devem procurar uma unidade de vacinas”, orienta o médico.  

Antes da introdução da vacina na década de 60, o mundo vivia epidemias em intervalos de dois a três anos que culminaram na morte de 2,6 milhões de pessoas. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), trata-se de uma das doenças mais contagiosas do mundo e um indivíduo doente por gerar até 18 novos infectados. Nos casos mais graves, pacientes podem desenvolver complicações como encefalite e infeções bacterianas secundárias, como pneumonia otite média aguda. Grávidas que contraem o sarampo podem sofrer parto prematuro ou gerar um bebê de baixo peso, entre outras complicações graves para mãe e o bebê. Crianças de até 5 anos e imunossuprimidos são os grupos de maior risco de agravamento. 

O viajante que retorna ao Brasil deve manter a atenção ao aparecimento de sintomas em até 21 dias, destaca o infectologista. 

Sintomas do sarampo 

Os primeiros sintomas da doença – tosse, coriza e mal-estar - são pouco específicos e podem se assemelhar aos de outras infecções. Conjuntivite e febre maior que 38,5oC costumam ocorrer na fase inicial. O indício mais emblemático, conforme explica o infectologista, é quando as pessoas apresentam manchas na pele, que aparecem cerca de 2 a 4 dias após o início dos sintomas iniciais. Inicialmente, as lesões surgem no rosto e se espalham, em seguida, para o tronco e extremidades.

“Lesões na mucosa da bochecha chamadas de manchas de Koplik aparecem na fase inicial da doença e são típicas do sarampo. São pequenos pontos próximos aos molares”, informa Rafael, que acrescenta: “Os principais sintomas do sarampo são febre alta e manchas na pele, associados a tosse, coriza e irritação nos olhos.  Sintomas gastrointestinais (vômito e diarreia) podem estar presentes. É importante ter atenção a sintomas neurológicos, que podem sinalizar encefalite (inflamação cerebral), uma das complicações possíveis.  Sintomas pulmonares, em consequência da própria doença ou mesmo de infecções bacterianas secundárias, podem ocorrer também.”

Vacinas disponíveis  

No Brasil, duas vacinas diferentes são destinadas à prevenção do sarampo de forma rotineira: a tríplice viral, que protege também contra caxumba e rubéola, e a tetraviral que se destina a segunda dose do esquema de imunização de crianças a partir dos 15 meses e adicionalmente oferta proteção contra varicela (catapora). Uma terceira formulação, a vacina dupla viral, que protege contra sarampo e rubéola, tem sido reservada para estratégias especiais em alguns contextos específicos. (Kiw)