Conexão Tocantins - O Brasil que se encontra aqui é visto pelo mundo
Polí­tica

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Estamos a meio ano da eleição para presidente da República. Ninguém sabe quem será o vencedor, mas com toda certeza sabe quem será o perdedor. E para isso não precisa analisar pesquisas.

Eleição livre pelo voto direto é o mais representativo pilar da democracia. É a oportunidade de promover a alternância de poder, corrigir rumos, debater as grandes questões nacionais e discutir propostas para implementar mudanças que se façam necessárias.

No Brasil, este próximo pleito é ainda mais importante por ser a ocasião em que além da eleição do presidente e dos governadores, vota-se também a renovação do Congresso (Câmara Federal e dois terços do Senado) e das Assembleias dos Estados e do Distrito Federal. É, sem dúvida, concreta oportunidade para ampla mudança que terá influência na própria política.

Naturalmente, o foco principal está na eleição presidencial e é esse ponto que desejo analisar. Pelo que se depreende da movimentação, das articulações e definições até agora, não há nenhuma perspectiva de que ocorra a tão desejada mudança dos rumos da política. Isto é, vai se repetir a polarização entre dois grupos, dois nomes. Entre direita e esquerda, mais propriamente.

A campanha eleitoral praticamente já começou, como sempre, veladamente antes do prazo oficial e legal.

E a política é o mesmo caos. A eleição vai afunilar para a malfadada polarização novamente e mais uma vez entre dois nomes sem capacidade e carisma para arrebatar o eleitorado. Os nomes postos não empolgam, não têm condições, não transmitem nada de novo que represente esperança de mudança, de melhoria na condução do país. Um dos candidatos não possui currículo político e de gestão pública que transmita confiança; o outro tem currículo que mais desabona do que recomenda. Ambos os candidatos, segundo pesquisas recentes, estão com cerca de 50% de rejeição. Nesse cenário é que o eleitor brasileiro irá escolher, repetindo-se a situação de pleitos anteriores: votar no menos pior, ou quando o voto não representa apoio a seu candidato, mas repúdio ao adversário: não se vota em Flávio Bolsonaro, se vota contra Lula e vice-versa. Isso é total desvirtuamento da essência do voto, a chamada ‘arma do cidadão na democracia’.

O candidato que chegou a ser cogitado como terceira via em contraposição à polarização, Ronaldo Caiado governador de Goiás, não consegue aglutinar, não tem unanimidade em sua própria sigla, o PSD.

Pior são os partidos, esfacelados, desfigurados, um troca-troca interminável sem nenhum objetivo a não ser interesses pessoais. Os partidos deixam de promover a verdadeira política de interesse nacional, de interesse do país e seu povo. Infelizmente, os partidos políticos orbitam em torno de si mesmos, são modelados pelo pensamento e ação de seus dirigentes, que visam mais o Fundo Partidário, o Fundo Eleitoral, cargos e verbas públicas do que mudanças para melhorar o exercício da boa prática política.

Em períodos eleitorais, como atualmente, os partidos se ocupam com alianças e apoios nem sempre condizentes com ideologias e programas, apenas com objetivo de poder.  

Tudo isso é extremamente ruim para a democracia, para o desenvolvimento político do país. A polarização, especialmente numa eleição geral, além de não ensejar debates de ideias e de propostas para enfrentamento dos problemas do país, contribui para acentuar a divisão, fator negativo à saudável convivência política e cumprimento de pautas econômicas e sociais.

Quando se constata a rejeição popular a candidatos é conveniente analisar que a rejeição não é apenas contra nomes que se apresentam, é contra a situação vigente,  contra as políticas governistas. É um apelo do cidadão por mudanças.

A esperança dos brasileiros é sempre depositada nas eleições, almejando que das urnas venham boas respostas. Por isso é preocupante o fato de que as eleições deste ano poderão ser perdidas.

Nas circunstâncias presentes, pouco importa quem seja o vencedor. Os grandes perdedores são o Brasil e todos os brasileiros.

*Luiz Carlos Borges da Silveira é médico, ex-ministro da Saúde, ex-secretário de Ciência e Tecnologia do Governo do Estado do Tocantins e ex-secretário do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Emprego do Município de Palmas-TO.