A Ultracargo, empresa de armazenamento de granéis líquidos e soluções logísticas, iniciou a operação de B100 no terminal de Palmeirante, no norte do Tocantins, com destino ao terminal de Itaqui, em São Luís (MA). A operação marca a entrada do biocombustível no fluxo ferroviário do polo de Palmeirante e amplia a movimentação de combustíveis e biocombustíveis em uma região estratégica para o abastecimento do Tocantins, Maranhão e áreas de influência do Matopiba.
O B100 é o biodiesel puro utilizado na composição do diesel comercializado nos postos. No Brasil, a especificação do biodiesel é regulada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que estabelece os parâmetros de qualidade do produto a ser misturado ao óleo diesel A. A operação ocorre em um contexto de expansão da demanda por combustíveis líquidos no país, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o mercado brasileiro deve seguir em crescimento em 2025 e 2026, com alta projetada de 1,9% ao ano.
No caso de Palmeirante, a movimentação ferroviária até Itaqui tem tempo estimado de aproximadamente três dias, prazo semelhante ao transporte rodoviário. A diferença está no ganho logístico e ambiental. De acordo com dados da ANTF - Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários, a operação ferroviária contribui para reduzir as emissões de CO² no transporte de longa distância. Para cada 100 toneladas de B100 movimentadas entre Palmeirante e Itaqui, a estimativa é que se emite cerca de 1,2 tonelada de CO₂ pela ferrovia, contra aproximadamente 7,3 toneladas pelo modal rodoviário, uma redução de 6,1 toneladas de CO₂, ou cerca de 84%.
A integração entre Palmeirante e Itaqui acompanha uma tendência de fortalecimento da infraestrutura logística no Arco Norte. O Porto do Itaqui registrou desempenho histórico em 2025, com avanço na movimentação de granéis sólidos e líquidos, incluindo derivados de petróleo. De acordo com dados do Governo Federal, de janeiro a julho de 2025, o porto de Itaqui movimentou mais de 21 milhões de toneladas, com crescimento de 11% em granéis líquidos e alta de 6% em derivados de petróleo. Já no Tocantins, os terminais ferroviários de Palmeirante e Porto Nacional movimentaram cerca de 59 milhões de toneladas entre 2016 e 2025, segundo dados divulgados pelo site Tecnologística, com salto de 1,9 milhão para 8 milhões de toneladas no volume anual movimentado no período.
Para a região de Palmeirante, a operação representa também a consolidação de uma nova frente logística ligada à cadeia de combustíveis. Localizado no norte do Tocantins, o município está em uma área de influência próxima a polos como Palmas (TO) e Imperatriz (MA), em uma região marcada pelo crescimento do agronegócio e pela necessidade de infraestrutura para circulação de insumos, combustíveis e produtos de maior valor agregado.
“O início da operação com B100 em Palmeirante amplia a capacidade logística da região e cria uma alternativa ferroviária para a movimentação de biocombustíveis até Itaqui. Esse movimento ajuda a inserir o município em uma cadeia mais complexa, que envolve tecnologia, segurança, qualificação de mão de obra e maior previsibilidade para o abastecimento regional”, afirma Douglas Marques, diretor Executivo de Operações da Ultracargo.
Segundo Douglas, a operação também pode trazer efeitos indiretos para a economia local. “Quando uma estrutura desse tipo começa a operar, ela demanda profissionais capacitados, serviços de apoio e uma rede de fornecedores. Impactando de forma positiva na economia e crescimento da região, a presença de uma operação ferroviária de combustíveis pode contribuir para formação de mão de obra, geração de empregos e fortalecimento da atividade econômica no entorno”, complementa.
O terminal de Palmeirante foi construído para receber esse tipo de fluxo, sem necessidade de adaptações específicas de tancagem, dutos ou bombas para a operação com B100. Além do biodiesel, o modelo logístico também viabiliza a movimentação de outros combustíveis, como o Diesel S10, que recebe a mistura obrigatória de biodiesel em sua composição. Com a operação em ação, Palmeirante passa a integrar de forma mais ativa o corredor logístico de combustíveis e biocombustíveis conectado ao Porto do Itaqui, um dos principais pontos de movimentação de cargas do Arco Norte. A expectativa é que o fluxo contribua para diversificar a matriz logística regional, ampliar o uso da ferrovia e apoiar o abastecimento em áreas ainda pouco atendidas por bases de combustíveis.

