O Governo do Tocantins, por meio do Programa Pesquisa Agropecuária, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt) em parceria com a Secretaria de Agricultura e Pecuária (Seagro), está financiando um projeto inovador que visa investigar o potencial químico e biológico de espécies vegetais do Cerrado tocantinense. O estudo, que conta com um aporte de R$ 47,5 mil, intitulado "Prospecção Química e Biológica dos Extratos de Espécies Vegetais do Cerrado Tocantinense: Base de Dados das Espécies Bioativas", tem como responsável a pesquisadora Mayra Fonseca Costa, da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), e tem como objetivo principal criar um banco de dados de espécies com potencial bioativo aplicável ao setor agrícola.
O projeto, que já está em desenvolvimento, é focado na análise de oito espécies vegetais nativas do Cerrado, como a copaíba, a tiborna do cerrado e o angico, entre outras. A pesquisa inclui a coleta, identificação taxonômica e extração de compostos dessas plantas, além de ensaios biológicos para avaliar sua eficácia no controle de fungos fitopatogênicos, como o Sclerotium rolfsii, e insetos, como a Diabrotica speciosa. Os resultados preliminares já indicam que extratos de copaíba e tiborna do Cerrado apresentam atividade inibitória significativa contra o fungo S. rolfsii, o que pode contribuir para o desenvolvimento de bioprodutos agrícolas mais sustentáveis e eficazes.
“Com os resultados obtidos até o momento, constatamos a bioatividade de duas espécies, a copaíba e a tiborna do Cerrado. Essas espécies demonstraram eficácia contra o fitopatógeno Sclerotium rolfsii, um patógeno causador da doença conhecida como podridão branca, que afeta diversas culturas, incluindo o feijão. Além disso, estamos realizando ensaios inseticidas utilizando esses extratos contra o inseto Diabrotica speciosa, um besouro amarelo conhecido popularmente como vaquinha. A previsão é apresentar todos os resultados em maio, durante a Agrotins", relatou a pesquisadora responsável, Dra. Mayra Fonseca Costa.
A pesquisa tem o potencial de trazer benefícios significativos para a agropecuária tocantinense, especialmente no que diz respeito ao controle de pragas e doenças que afetam as lavouras. Além disso, o estudo pode abrir caminho para a criação de novos produtos naturais, reduzindo a dependência de agroquímicos sintéticos e promovendo práticas agrícolas mais sustentáveis. A longo prazo, a implantação de um banco de dados de espécies bioativas pode fortalecer a cadeia produtiva do Estado, impulsionando o desenvolvimento econômico e a preservação do bioma Cerrado.
A presidente da Fapt, Maria Eulessandra Castilho, destacou a importância do investimento em pesquisas como essa para o desenvolvimento do Estado. "Investir em pesquisas que exploram o potencial do nosso bioma é fundamental para o crescimento sustentável do Tocantins. Esses estudos não só promovem a inovação no setor agrícola, mas também fortalecem a economia local, geram empregos e contribuem para a preservação do Cerrado. Acreditamos que, por meio da ciência e da tecnologia, podemos transformar desafios em oportunidades, garantindo um futuro mais próspero para o Tocantins".
Sobre o Projeto Pesquisa Agropecuária
O Edital Pesquisa Agropecuária, amparado pela Fapt em parceria com a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Aquicultura (Seagro), e que teve o evento de marco zero durante a Agrotins 2023, tem como objetivo fortalecer o setor agropecuário do Tocantins por meio do financiamento de projetos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.
Com um investimento total de R$ 2 milhões, o edital financia 40 pesquisas, com valores de até R$ 47.500 por estudo. As linhas de pesquisa abrangem desde o desenvolvimento de tecnologias inovadoras até a aplicação de pesquisas científicas que possam gerar impactos positivos na produção agrícola e pecuária do estado. O projeto promove a integração entre instituições de pesquisa, extensionistas e o setor produtivo, visando a consolidação de uma rede de ciência, tecnologia e inovação agropecuária no Tocantins. (SecomTO)