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Análise Econômica

Foto: Divulgação

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O início do ano costuma vir acompanhado de diagnósticos e prognósticos acerca da inflação ao consumidor, condicionantes das decisões de política monetária. Os atuais diagnósticos vêm convergindo para análises de acomodação gradual dos aumentos de preços ao consumidor. Os preços de alimentos mostraram recuos no ano passado nas categorias de industrializados, semielaborados e in natura. A inflação de serviços, entretanto, mostrou-se elevada. Essa resistência à queda da inflação de serviços foi observada inclusive nas séries com ajuste sazonal, de componentes subjacentes e nas medidas que enfatizam os serviços intensivos em trabalho.

Essa resistência à queda deve ter continuidade em 2026. Os preços de serviços ainda devem contemplar pressões não desprezíveis neste ano. A desinflação em preços de serviços intensivos em mão-de-obra será contida pelo dinamismo do mercado de trabalho. Afinal, a baixa taxa de desemprego acaba por favorecer aumentos de rendimentos reais e repasses de custos por parte de empresas de prestação de serviços. Junte-se a isso a resiliência da inflação de serviços resultante de reajustes à inflação passada definidos contratualmente. Não por acaso, a inflação de serviços costuma demonstrar inércia elevada e resposta baixa à política monetária. Em resumo, o prognóstico é de acomodação gradual dos aumentos de preços de serviços neste ano.

A melhor notícia ficará por conta dos preços de alimentos. Contaremos no curto prazo com aumentos sazonais, em especial de preços de alimentos in natura e semielaborados. No médio prazo, a tendência será de desinflação. Observa-se no gráfico abaixo movimentos coordenados entre preços de commodities em reais, preços de alimentos ao atacado e, finalmente, de preços de alimentos ao consumidor. Nota-se defasagem temporal de meses entre esses movimentos. A depender dessa coordenação com defasagens, os preços de alimentos ao consumidor também deverão demonstrar desinflações mais contundentes ao longo dos próximos meses.

Em resumo, a perspectiva para os movimentos de preços ao consumidor em 2026 é de desinflação. Os preços de serviços deverão continuar com tendência de acomodação gradual. A inflação de alimentos, por sua vez, influenciada por preços de commodities, pode dar sinais mais contundentes de recuo. Haverá também acomodação de preços administrados, beneficiados pela redução do IPVA no Paraná, pela ausência de reajustes nos valores das apostas de jogos lotéricos, por menores aumentos das tarifas de transportes públicos e a possibilidade de quedas de preços de combustíveis. Ou seja, a inflação ao consumidor pode nos trazer boas notícias em 2026.

Atualização Semanal: liquidez contida, dólar estável, WTI em alta e desdobramentos do Banco Master

Na segunda semana de janeiro, os principais índices acionários operaram em alta, com liquidez contida e oscilações típicas do início do ano. O Nasdaq Composite avançou cerca de 0,8%, encerrando em 23.671 pontos e acumulando +1,9% no ano até 9/1. O S&P 500 subiu 0,7% na sexta-feira e registrou +1,6% na semana, renovando máximas em torno de 6.966 - 6.970 pontos. No Brasil, o Ibovespa ganhou 0,3% na sexta, fechando em 163.370 pontos e somando +2,7% na semana. O dólar oscilou entre R$ 5,37 e R$ 5,39, encerrando em R$ 5,3732, praticamente estável no período.

No âmbito macro, o modelo GDPNow do Atlanta Fed estimou crescimento do PIB dos EUA no 4º trimestre em 5,1% a.a. em 9/1, após 5,4% no dia anterior. Em contrapartida, os pedidos de bens duráveis recuaram 2,2% m/m em outubro (última leitura disponível), com avanço ex‑transporte de 0,2%, e a produção industrial cresceu 0,2% em novembro após queda de 0,1% em outubro. A curva de juros americana ficou estável, com o Treasury de 10 anos ao redor de 4,17% e o DXY próximo de 99,1. O WTI avançou 2,35% na semana, negociado a cerca de US$ 59,12 / barril na sexta, sustentado por tensões geopolíticas.

Destaque geopolítico, os Estados Unidos conduziram operação militar de grande escala na Venezuela. Os veículos de imprensa reportaram a captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores, removidos ao território americano sob acusações federais. O episódio gerou reação no Congresso (avanço de resolução de poderes de guerra no Senado) e pedidos de moderação de governos e organismos internacionais, havendo impactos pontuais nos preços do petróleo, câmbio e bolsas, com alta de energia e fortalecimento do dólar em certos pregões subsequentes.

No Brasil, o IPCA de dezembro de 2025 variou +0,33%, e o ano fechou em 4,26%, abaixo do teto da meta (4,5%), com desaceleração de alimentos ao longo do ano e pressões de energia elétrica e serviços na composição, em linha com projeções de mercado. Apesar do quadro de inflação sob controle, os núcleos e serviços seguem em monitoramento para 2026. Em paralelo, o caso Banco Master teve novos desdobramentos: após a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, a Justiça dos EUA reconheceu o processo brasileiro sob o Chapter 15, determinando o bloqueio de ativos do conglomerado em território americano e conferindo poderes ao liquidante. O tema permanece sob escrutínio do TCU e STF, com ampla cobertura na imprensa sobre efeitos para investidores e a atuação do FGC. Apesar disso, os contratos futuros de DI na B3 recuaram levemente em todos os vértices, refletindo expectativas de inflação controlada e um ambiente cambial sem sobressaltos relevantes na semana.