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Mercadante: "BNDES fomenta o crédito em R$ 1 bilhão por dia". Foto: André Telles/BNDES

Foto: André Telles/BNDES Mercadante: Mercadante: "BNDES fomenta o crédito em R$ 1 bilhão por dia".

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou em 2025 o maior lucro recorrente da história da instituição, com R$ 15,2 bilhões, resultado 15,4% superior a 2024. O Banco encerrou o ano com recorde na injeção de crédito, totalizando R$ 366 bilhões, alta de 32% em relação a 2024, maior valor nominal da história em ativos totais (R$ 962 bilhões), carteira de crédito (R$ 664 bilhões) no maior patamar desde 2016, caixa livre quadruplicado (R$ 61 bilhões) em relação a 2022 e maior patamar histórico do Patrimônio Líquido (R$ 172 bilhões).

O desempenho operacional em 2025 apresentou forte crescimento por demanda de crédito frente ao ano de 2024. As consultas somaram R$ 389,2 bilhões (aumento de 19% em relação a 2024 e de 170% em relação a 2022). As aprovações de crédito alcançaram R$ 237,9 bilhões (12% acima de 2024 e 80% maior que 2022), com destaque para o aumento de 215% na indústria (R$ 71 bilhões), 125% em Comércio e Serviços (R$ 41,2 bilhões) e 100% na agropecuária (R$ 54,3 bilhões) em relação a 2022. Já os desembolsos do BNDES totalizaram R$ 169,7 bilhões em 2025, aumento de 27% frente a 2024 e de 74% a 2022, com manutenção da trajetória de crescimento.

No triênio 2023-2025, houve aumento de 221% nas consultas, 164% nas aprovações e 126% nos desembolsos, em relação a 2019-2021.

Para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), as aprovações de crédito em 2025 totalizaram R$ 224 bilhões, aumento de 43% em relação à 2024 e de 215% em relação a 2022, sendo R$ 95,8 bilhões em crédito e R$ 128,2 bilhões de operações garantias oferecidas pelos fundos garantidores.

"O BNDES fomenta o crédito em R$ 1 bilhão por dia, uma contribuição fantástica que permite investimento, inovação, modernização, descarbonização da economia. Inclusive, o aumento da competividade e da oferta de produtos ajuda a reduzir a inflação estrutural. O BNDES dá uma contribuição muito grande para o desenvolvimento do país", comemorou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. 

"A maior parte dos desembolsos do BNDES são feitos a taxas de juros de mercado e, logo, não comprometem a eficiência da política monetária", destacou o diretor de Planejamento e Relações Institucionais, Nelson Barbosa.

Barbosa destacou ainda o apoio do Banco ao desenvolvimento sustentável do país. "Os números demonstram por si próprios que o Fundo Amazônia ficou praticamente parado, basicamente não aprovava nada e nem recebia doações, e agora decolou com muitos projetos para áreas degradas, capacitação técnica e assistência à população da Amazônia", acrescentou. 

"Temos um novo Fundo Clima, que mudou de paradigma a partir do apoio do Ministério da Fazenda, liderado pelo ministro Fenando Haddad, que colocou a transição energética como eixo fundamental da política econômica, o Tesouro tem aportado mais recursos no Fundo Clima", disse o diretor.

Segundo Nelson, o BNDES está se tornando crescentemente um banco de inovação. Saiu de R$ 7,1 bilhões nos quatro anos entre 2019-22, em três anos para R$ 35,6 bilhões. "Isso é muito fruto do programa de inovação com taxa TR criado e liderado pelo ministro e vice-presidente Geraldo Alckmin. Podemos ver ali, o crescimento na carteira do BNDES, onde para passou de 2,7% das aprovações para 7%. Então, estamos apoiando a inovação em diversos setores energia, farmacêutico, indústria, digitalização", afirmou.

Lucro líquido

O lucro líquido de R$ 26,8 bilhões em 2025, incluindo eventos recorrentes, não recorrentes e o resultado de alienações de ações não coligadas registrado em lucros acumulados (Resolução CMN nº 4.966/21)  foi 1,7% superior aos R$ 26,4 bilhões apurados em 2024. Já o lucro líquido recorrente de R$ 15,2 bilhões é o maior da história, representando crescimento de 15,4% frente a 2024 (R$ 13,2 bilhões) e 22% em relação a 2022 (R$ 12,5 bilhões). No triênio 2023 a 2025, o lucro recorrente foi 86% superior ao apurado no triênio 2019 a 2021.

Em ambas as medidas, destaca-se que o resultado financeiro do BNDES foi beneficiado pelos ganhos de crédito e tesouraria, oriundos do crescimento dos ativos como um todo.

"O Banco dá esse salto de qualidade tendo o segundo melhor resultado de todo o sistema financeiro e uma produtividade incomparável em relação aos servidores públicos do BNDES: cada um gera mais de R$ 9 milhões de lucro ao ano. Isso ajuda de forma decisiva no esforço fiscal do governo porque fazemos pagamento de dividendos muito acima do teto da legislação", disse Mercadante.

Eventos não recorrentes como recuperações de crédito e resultados de participações societárias influenciaram o lucro líquido. Em 2025, a receita com reversão de provisões de crédito totalizou R$ 1,4 bilhão (líquida de tributos), devido a revisões de risco de crédito e recuperação de créditos provisionados em exercícios anteriores. O resultado de participações societárias não incluído no lucro recorrente decorre de receitas de dividendos, juros sobre o capital próprio e bonificações, no montante de R$ 8,3 bilhões (líquidas de tributos), basicamente oriundas da Petrobras, JBS e Axia Energia/Eletrobras, além do resultado com venda de ações e efeito da dupla listagem de JBS (R$ 0,9 bilhão, líquido de tributos).

Ativos

Os ativos totais do Sistema BNDES somaram R$ 962,5 bilhões em 31 de dezembro de 2025, maior valor nominal na história do Banco, com aumento de R$ 121,6 bilhões (14,5%) em relação a dezembro de 2024, sobretudo pelo crescimento de R$ 78,6 bilhões da carteira de crédito expandida, de R$ 40,9 bilhões em Tesouraria, especialmente títulos públicos, e de R$ 4,4 bilhões da carteira de participações societárias. Em relação a 2022, o aumento foi de 41%.

"Houve crescimento dos ativos, da carteira de crédito e da participação acionária do Banco. E esse crescimento vem acompanhado de um índice de basileia e inadimplência baixos. Ou seja, não é só crescer o ativo, o volume de empréstimo, é crescer com qualidade e isso é muito importante para qualquer banco, sobretudo para o BNDES que tem que prestar conta para a sociedade brasileira", disse o diretor Financeiro e de Mercado de Capitais do BNDES, Alexandre Abreu.

A carteira de crédito expandida, que abrange financiamentos, debêntures e outros ativos de crédito, alcançou o montante de R$ 663,6 bilhões em 31 de dezembro de 2025 (13,4% acima de dezembro de 2024), representando, assim, 68,9% dos ativos totais. O aumento foi influenciado pela integralização de debêntures, pelo crescimento dos desembolsos e pela apropriação de juros e atualização monetária. A Carteira de Debêntures atingiu o maior valor da série histórica do BNDES, R$ 53,2 bilhões em 31 de dezembro de 2025, ante  R$ 9,1 bilhões em 2022.

A carteira de participações societárias totalizou R$ 86,4 bilhões ao fim de 2025, aumento de 5,3% em relação à posição de 2024, e tendo rendido R$ 54,8 bilhões desde 2022. Petrobras, JBS, Axia Energia (Eletrobras) e Copel seguem como principais empresas investidas em termos de carteira total.

A inadimplência de 0,06% (90 dias) permanece expressivamente inferior à do Sistema Financeiro Nacional (4,08% geral e 0,41% para grandes empresas em dezembro de 2025).

Fontes de recursos

Em 31 de setembro de 2025, o saldo do FAT era de R$ 484,9 bilhões, representando a parcela mais significativa da estrutura de funding do BNDES (50,4% dos passivos onerosos da instituição).  O aumento de R$ 37,0 bilhões em relação ao saldo em 31 de dezembro de 2024 é oriundo, principalmente, da apropriação de juros e ingresso de novos recursos.

O valor devido pelo BNDES ao Tesouro Nacional totalizou R$ 36,3 bilhões em 31 de dezembro de 2025. A redução de 10,1% decorre, principalmente, da amortização de principal e juros em montante superior ao ingresso de recursos e apropriação de juros e correção monetária ao longo de 2025.

O BNDES recebeu, ainda, novos recursos para operacionalização de fundos, cujo saldo totalizou R$ 135,8 bilhões em 31 de dezembro de 2025 (aumento de 90,0% no ano). Em 2025, ingressaram R$ 22,0 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações - Plano Brasil Soberano, R$ 14,0 bilhões do Fundo Nacional sobre a Mudança do Clima (FNMC), R$ 12,0 bilhões do Programa Liquidação de Dívidas Rurais, R$ 6,0 bilhões do Programa Renovação de Frota, R$ 5,0 bilhões do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS) e R$ 5,0 bilhões do Fundo Rio Doce (FRDC).

Em 2024, o BNDES retornou ao mercado doméstico de captação com as emissões de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e de Letras de Crédito do Desenvolvimento (LCDs). Em 2025, o BNDES intensificou essas emissões e os saldos desses instrumentos totalizaram, respectivamente, R$ 10,2 bilhões e R$ 16,5 bilhões em 31 de dezembro de 2025.

O passivo com captações externas atingiu R$ 40,1 bilhões em 31 de dezembro de 2025, com acréscimo de 18,7% no ano. Os R$ 11,4 bilhões captados (R$ 4,9 bilhões com o China Development Bank – CDB, R$ 2,7 bilhões com o Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID, R$ 1,1 bilhão com o Instituto de Crédito Oficial – ICO, R$ 1,1 bilhão com a Corporação Andina de Fomento – CAF, R$ 1,0 bilhão com o New Development Bank – NDB e R$ 0,6 bilhão com a Agência Francesa de Desenvolvimento – AFD), somados à apropriação de juros, foram parcialmente compensados pelas amortizações de principal de R$ 2,0 bilhões e pelo efeito da desvalorização do dólar norte-americano no saldo devedor dos contratos.

Essa expansão nas fontes de recursos tem possibilitado a contínua ampliação e diversificação de funding, com foco na redução do custo de captação e no fortalecimento da competitividade do Sistema BNDES.

Patrimônio líquido

O patrimônio líquido do BNDES apresentou aumento de 8,6%, atingindo, em 31 de dezembro de 2025, o saldo de R$ 172,0 bilhões, também o maior valor nominal da história. O aumento de R$ 13,6 bilhões frente ao encerramento de 2024 decorre, principalmente, do lucro líquido de R$ 26,8 bilhões e do efeito positivo do ajuste a valor de mercado de ativos (ações e títulos públicos) de R$ 1,9 bilhão, atenuados por distribuição de dividendos de R$ 15,2 bilhões.

Índice de Basileia

O Índice de Basileia atingiu 25,2% em 31 de dezembro de 2025 (28,2% em 2024), mantendo situação confortável em relação aos 10,5% exigidos pelo Banco Central. A variação anual foi influenciada pela distribuição de dividendos à União e aumento do fator de consumo de capital de participações societárias.