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Economia

O retrato de 2026 é o de um consumidor menos impulsivo e mais condicionado por planejamento

O retrato de 2026 é o de um consumidor menos impulsivo e mais condicionado por planejamento Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil O retrato de 2026 é o de um consumidor menos impulsivo e mais condicionado por planejamento O retrato de 2026 é o de um consumidor menos impulsivo e mais condicionado por planejamento

O consumo em 2026 deve passar por uma reorganização. O brasileiro iniciou este ano mais atento ao bolso, mais estratégico nas decisões de compra e menos disposto a correr riscos. É o que revela a nova pesquisa da Neogrid, ecossistema de tecnologia e inteligência de dados para a cadeia de consumo, realizado em parceria com o Opinion Box. O levantamento mostra que 76% dos consumidores do País pretendem cortar custos ao longo do ano, enquanto 71% afirmam estarem mais sensíveis ao preço. Em um calendário marcado por Copa do Mundo, eleições e 11 feriados prolongados, 81% dos respondentes acreditam que produtos e serviços devem ficar mais caros.

Segundo o estudo “Como os eventos de 2026 impactam o bolso do consumidor”, o cenário não aponta para retração generalizada, mas para um padrão de consumo mais seletivo, episódico e condicionado ao contexto econômico e emocional. Mais da metade dos entrevistados declaram estarem mais preocupados com seus custos de vida do que há 12 meses. 

Entre as principais estratégias para economizar estão a redução das compras por impulso (69%) a maior busca por promoções (55%%), e a procura por lojas com melhores preços (53%). Além disso, 43% pretendem conter gastos com produtos em geral e 40% afirmam que devem cozinhar mais em casa e diminuir pedidos de delivery.

O comportamento revela um consumidor mais disciplinado que pesquisa antes de decidir, compara canais e começa a enxergar o preço como fator central de segurança financeira. A sensibilidade ao valor se intensifica: 37% dos entrevistados se consideram muito mais sensíveis ao preço e 34% um pouco mais sensíveis neste início de ano. Apenas 23% acham igual como antes, ao passo que 5% e 1% estão um pouco menos sensíveis e muito menos sensíveis ao preço, respectivamente.

O cenário financeiro das famílias ajuda a explicar essa postura de cautela. Mais da metade dos consumidores declara ter dívidas, entre os quais 15% afirmam não saber como irão quitá-las. Ao mesmo tempo, 39% dizem ter dívidas, mas já com plano de pagamento definido, o que indica uma tentativa de reorganização financeira. Outro dado que chama a atenção é que 15% dos brasileiros afirmam não ter dívidas, mas também não possuem nenhuma reserva financeira. Em contraste, 22% declaram ter dinheiro guardado e já definido um plano para utilizá-lo, enquanto somente 4% possuem recursos poupados, mas ainda sem destinação planejada.

Política pesa mais que Copa

Em um ano com Copa e eleições, 81% acreditam que os preços devem subir. Essa expectativa, ainda que não necessariamente baseada em dados concretos, influencia o comportamento e estimula tanto a antecipação de compras quanto a busca por promoções.

Em especial, as eleições aparecem como o fator de maior impacto psicológico sobre o consumo. O ambiente político amplia a percepção de incerteza e reforça adiamento de despesas consideradas não essenciais. Para 36% dos entrevistados, o período eleitoral afeta muito suas decisões de compra, enquanto 14% afirmam que o reflexo é relativo. A leitura predominante é de que o contexto político pode amplificar a incerteza, reforçando, consequentemente, o planejamento e o adiamento de gastos considerados não essenciais.

Já a Copa do Mundo exerce influência distinta. O consumo se torna mais social e concentrado em categorias específicas.  Embora 41% afirmem que o evento não altera suas decisões, 26% reconhecem que seu estado emocional durante o torneio interfere nos hábitos de consumo. Entre os que pretendem acompanhar os jogos da seleção brasileira – 64% dos entrevistados –, há a expectativa de novos gastos, principalmente com alimentos e bebidas, mencionados por 51%, além de roupas e acessórios temáticos, citados por 24%.

Somado a isso, o calendário de 2026 contará com 11 feriados nacionais em dias de semana, criando uma sequência de datas prolongadas. Para 48% dos consumidores, esses feriados devem incrementar os gastos ao longo do ano, enquanto 23% acreditam que haverá redistribuição de despesas. Os passeios e lazer aparecem como a principal categoria de alta do consumo durante essas datas, mencionados por 54,8% dos entrevistados, seguidos por alimentação e bebidas, citadas por 50%, e viagens, apontadas por 40%. Paralelamente, 55% afirmam que o menor volume de dias úteis compromete seus rendimentos ao menos um pouco, e 59% reconhecem que os feriados dificultam o controle do orçamento mensal.

Ruptura e disponibilidade entram no radar

A pesquisa também aponta preocupação com o abastecimento. Quase 40% dos respondentes dizem perceber falta de produtos com frequência ou às vezes em períodos de grandes eventos como Copa do Mundo e feriados prolongados. Essa percepção tende a modificar o comportamento, incentivando compras antecipadas e troca de marcas quando o item desejado não está disponível.

O retrato de 2026 é o de um consumidor menos impulsivo e mais condicionado por planejamento, percepção de risco e busca por previsibilidade. O ano não aponta necessariamente para uma retração generalizada, mas um padrão de consumo mais seletivo, no qual preço, disponibilidade e clareza de valor serão determinantes. 

Metodologia

A pesquisa “Como os acontecimentos de 2026 impactam o bolso do consumidor” ouviu mais de 1 mil brasileiros, total ou parcialmente responsáveis pelas compras do lar, de diferentes classes sociais e faixas etárias a partir de 16 anos.