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Cidades

Foto: Divulgação

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Mesmo após audiência pública na Câmara de Colinas do Tocantins e duas reuniões realizadas na Prefeitura, moradores do Jardim Novo Progresso relatam insegurança, medo de despejo e cobram uma solução humanizada para evitar que dezenas de famílias percam seus lares.

A crise habitacional envolvendo o Jardim Novo Progresso, em Colinas do Tocantins, ganhou um novo e delicado capítulo após a Prefeitura decidir notificar mais de 50 famílias para deixarem suas moradias, mesmo depois da realização de uma audiência pública na Câmara Municipal e de duas reuniões ocorridas na própria Prefeitura, com participação do ex-superintendente do Patrimônio da União, Edy César, e representantes do setor.

A situação ampliou o clima de tensão social, revolta e insegurança entre moradores que afirmam não ter para onde ir.

A audiência pública foi realizada no dia 8 de abril, no plenário da Câmara Municipal de Colinas do Tocantins, para debater a regularização e a situação habitacional do loteamento irregular denominado Jardim Novo Progresso, além do cumprimento de ordens judiciais de reintegração e desocupação em áreas correlatas, especialmente na Vila Santa Maria.

O encontro foi presidido pela vereadora Naiara Miranda (MDB), autora do requerimento da audiência, e contou com a presença e apoio da vereadora Elma Moisés (União Brasil), do presidente da Câmara, Augusto Agra (União Brasil), do vereador Marcus Júnior, da presidente da Associação de Moradores do Jardim Novo Progresso, Paula Roberta Ferreira Pinheiro, além de Edy César, representantes da OAB e moradores da comunidade.

Mesmo com a mobilização institucional e comunitária, a situação não avançou para uma solução definitiva.

Segundo relatos apresentados pelos moradores e reforçados durante os debates, além da audiência, foram realizadas duas reuniões na Prefeitura, por meio da articulação de Edy César e de representantes do setor, na tentativa de construir um caminho negociado para evitar o agravamento da crise.

Ainda assim, a decisão tomada foi pela notificação das famílias para a desocupação das residências, atingindo diretamente mais de 50 núcleos familiares que agora vivem sob medo, apreensão e incerteza. A crise ocorre em meio à mudança no comando do Paço Municipal.

O atual gestor de Colinas do Tocantins é José Batista Ferreira, o Zé Nagru (Republicanos), que assumiu a Prefeitura após a renúncia do então prefeito Josemar Carlos Kasarin, ex-chefe do Executivo municipal apontado como pré-candidato a deputado estadual pelo Podemos.

O tema foi tratado durante a audiência como uma emergência social, diante do drama enfrentado por famílias de baixa renda que ocuparam a área por necessidade de moradia e que, ao longo do tempo, investiram recursos próprios, muitas vezes obtidos por empréstimos bancários ou consignados, para levantar suas casas.

Os relatos são de moradores que construíram seus lares com enorme sacrifício e agora se veem ameaçados de perder tudo sem uma alternativa concreta de reassentamento ou regularização.

Durante os debates, Naiara Miranda (MDB) defendeu que a audiência não fosse apenas um ato formal, mas um instrumento de encaminhamento institucional em defesa das famílias.

Elma Moisés (União Brasil) também reforçou a necessidade de um olhar social para o problema, destacando que a situação exige sensibilidade e responsabilidade do poder público diante da vulnerabilidade das famílias atingidas.

Na condução institucional dos trabalhos, Augusto Agra (União Brasil) participou do debate em defesa de uma saída equilibrada e humanizada, enquanto Marcus Júnior também esteve entre os apoiadores da discussão em busca de solução para o impasse.

A líder comunitária Paula Roberta Ferreira Pinheiro, presidente da Associação de Moradores do Jardim Novo Progresso, teve papel central ao dar voz ao drama das famílias, expondo o sentimento de tristeza, abandono e desespero diante da possibilidade de retirada dos moradores de suas casas.

Diante desse cenário, moradores e lideranças cobram responsabilidade, sensibilidade e compromisso do poder público para que a situação não resulte em uma remoção em massa sem destino definido para dezenas de famílias.

O entendimento entre os presentes é de que o caso exige uma solução urgente, legal e, sobretudo, humanizada.