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Opinião

Foto: Divulgação

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O cenário de inadimplência elevada entre consumidores, observado no Brasil e em outros mercados, tem sido tratado como um fenômeno concentrado nas famílias. Na prática, esse movimento representa o primeiro estágio de um ciclo mais amplo de deterioração das condições de crédito que agora alcança o setor produtivo.

Com níveis de endividamento persistentes e juros restritivos, o custo de capital permanece sob pressão. Somam-se a isso fatores externos determinantes, como as tensões geopolíticas no Oriente Médio, que adicionam volatilidade severa ao ambiente global. Esse cenário impacta diretamente os preços de energia e a inflação, forçando a manutenção de juros elevados em diversas economias e encarecendo as captações internacionais.

Esse conjunto de fatores desencadeia um efeito em cascata. A desaceleração do consumo compromete a geração de caixa das empresas, enquanto instituições financeiras adotam uma postura mais conservadora na concessão de crédito. O resultado é um ambiente restritivo, especialmente para empresas de médio porte, que dependem do financiamento bancário e possuem menor acesso a estruturas alternativas de capital.

Em um cenário onde o comércio entre Brasil e China já supera os US$ 171 bi no ano passado, a eficiência financeira torna-se o principal diferencial competitivo. A inadimplência deixa de ser pontual e ganha escala à medida que o crédito tradicional se torna escasso e incerto.

Alternativas ao sistema tradicional e o papel do seguro de crédito

Diante disso, notamos uma mudança estrutural no comportamento corporativo: a busca por alternativas fora do sistema bancário tradicional. Estruturas de crédito internacional e mecanismos de mitigação de risco, como o seguro de crédito à exportação, ganham relevância crítica para preservar a liquidez.

Soluções oferecidas pela Sinosure, por exemplo, têm sido fundamentais para viabilizar operações em condições competitivas, permitindo que empresas brasileiras acessem financiamentos que o mercado local hoje restringe.

Mais do que uma resposta de curto prazo, esse movimento reflete uma transição na forma como as empresas gerem sua solvência. A próxima fase do ciclo de crédito será menos sobre o volume de recursos disponíveis e mais sobre a sofisticação no acesso a eles. Nesse contexto, as soluções alternativas de mitigação de risco serão determinantes para a resiliência das empresas e para evitar uma desaceleração acentuada do mercado nacional frente aos choques globais.

*Igor Sokolov é sócio-diretor da Axton Global.