Esta semana é a mais aguardada do ano, depois de um ano de 2025 que mexeu bastante com as expectativas, especialmente no mês de dezembro. Chegamos à primeira decisão de juros do ano de 2026 e ela já começa com reunião com o comitante, então decisão de juros tanto aqui no Brasil como lá nos Estados Unidos e o mercado essa semana abriu em compasso de espera com essa decisão.
Tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos, a expectativa é de manutenção em ambas as taxas de juros e o cenário doméstico para cada uma das economias é que opera em sinais distintos.
Começando pelo Brasil, se observarmos, a semana passada foi uma semana muito positiva para o nosso índice. Ele saiu dos 166 mil pontos na bolsa, tocou 180 mil e essa semana, apesar de ter devolvido leve parte dos ganhos da semana passada, ainda opera em máxima histórica e a expectativa do mercado em torno da decisão dessa quarta-feira é de mais uma manutenção na taxa de juros Selic. Isso já era amplamente esperado, mas o que tem ajudado, inclusive impulsionado os ativos além do cenário externo, é que é esperado um tom de arrefecimento para a reunião do mês de março e o mercado já espera que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sinalize já um corte na taxa Selic de março.
Ao observarmos, vemos um movimento da curva de juros futuro que vem fechando em todos os vencimentos. Ontem, segunda-feira, operou em queda e o cenário externo acaba contribuindo para esse movimento. Primeiro por conta do fluxo de capital estrangeiro que tem vindo ali e contribuído para a alta da bolsa e a própria questão da moeda americana que ontem fechou novamente no menor patamar, se a gente observa, a última queda do ano de 2024. E isso se deve exatamente por dois fatores importantes. O primeiro deles é o fato do presidente dos EUA, Donald Trump, buscar uma intervenção em cima da moeda do Japão. E o segundo é que volta os rumores de um novo shutdown nos EUA.
Diante do conjunto de fatos do atual cenário a expectativa no Brasil é de manutenção na taxa de juros, com expectativa de cortes para março, enquanto Estados Unidos, para março, ainda segue com tendência de manutenção para as próximas reuniões, assim como será nessa super quarta.
*Bruna Centeno é economista e sócia advisor da Blue3 Investimentos
