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Saúde

Foto: Freepik

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A legislação trabalhista brasileira prevê mecanismos de proteção ao trabalhador diante de condutas abusivas por parte das empresas. Entre esses mecanismos destaca-se a rescisão indireta, popularmente conhecida como a “justa causa do empregador”. Este recurso jurídico, fundamentado no Artigo 483 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), permite que o farmacêutico encerre o vínculo empregatício mantendo o direito ao recebimento de todas as verbas rescisórias integrais, como se tivesse sido demitido sem justa causa, devido a faltas graves cometidas pela contratante.

O Sindicato dos Farmacêuticos do Tocantins (Sindifato) destaca que um dos principais motivadores para a aplicação da rescisão indireta no setor farmacêutico é o descumprimento de obrigações financeiras básicas. Atrasos reiterados no pagamento de salários — geralmente caracterizados a partir do terceiro mês de irregularidade ou pagamentos constantes após o quinto dia útil — configuram falta grave. Além disso, o não cumprimento do piso salarial estabelecido por lei ou convenção coletiva e a irregularidade nos depósitos do FGTS são amplamente aceitos pela Justiça do Trabalho como fundamentos sólidos para validar o pedido do profissional.

O desvio e o acúmulo de função também representam situações críticas no cotidiano das farmácias, como acrescenta o sindicato. Segundo a entidade, é vedado ao empregador exigir que o farmacêutico realize atividades incompatíveis com sua formação técnica ou cargo, como atuar rotineiramente no caixa, realizar a limpeza da unidade ou serviços gerais. "Da mesma forma, situações em que o profissional assume integralmente as responsabilidades de outro cargo sem o devido reajuste salarial ou pagamento de adicional podem justificar a interrupção do contrato por iniciativa do empregado", acrescenta. 

O presidente Renato Soares reforça: a segurança e a saúde no ambiente de trabalho são direitos inalienáveis. "A ausência de fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) essenciais, como luvas e máscaras para a aplicação de injetáveis ou manipulação de substâncias, coloca o profissional em risco desnecessário. O não pagamento do adicional de insalubridade em atividades de exposição a agentes biológicos — como a realização de testes diagnósticos ou vacinação — e a exposição a perigos manifestos à integridade física completam o quadro de violações que autorizam a rescisão indireta", argumenta. 

O Sindifato avalia que a conduta ética e interpessoal do empregador é observada rigorosamente. Segundo a entidade, o assédio moral, manifestado por humilhações públicas, perseguições ou cobranças abusivas de metas, fere a dignidade do trabalhador. "Soma-se a isso a exigência de atos ilegais ou contrários ao Código de Ética Farmacêutica e à legislação sanitária. Caso a rescisão indireta seja reconhecida judicialmente, o farmacêutico garante o saldo de salário, aviso prévio indenizado, férias vencidas e proporcionais com terço constitucional, 13º salário, multa de 40% sobre o FGTS, saque dos depósitos e as guias para o Seguro-Desemprego", explica o presidente Renato. 

"A proteção dos seus direitos começa com a informação e termina com a mobilização. O fortalecimento da nossa categoria depende da participação ativa de cada profissional. Convidamos você, farmacêutico, a se filiar ao Sindifato. Juntos, garantimos uma representação jurídica e sindical forte para enfrentar os desafios do mercado de trabalho e assegurar o respeito à nossa profissão", conclui o representante dos farmacêuticos do Tocantins.