O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Ipsos de maio revela um movimento instigante no Brasil. Após a forte retração sentida em abril, o índice nacional avançou 3,1 pontos, atingindo a marca de 52,3 pontos. O movimento de recuperação consolida o País na contramão de importantes vizinhos da América Latina e evidencia um consumidor hiper-reativo ao volume de informações e manchetes do dia a dia. Globalmente, o índice apresentou uma leve melhora de 0,7 ponto, situando-se em 47,4 pontos.
A volatilidade do índice brasileiro em 2026 – com quedas expressivas em fevereiro e abril, intercaladas por recuperações – reflete uma verdadeira "gangorra emocional". Essa alta da confiança em maio ocorre de forma paradoxal, uma vez que a economia real reporta uma inflação resiliente no dia a dia, com a prévia do IPCA-15 de maio acelerando e as projeções do mercado para o ano na casa dos 5%.
A explicação para esse descolamento entre a prateleira do supermercado e a pesquisa de confiança reside na dinâmica do consumo de informação. O brasileiro vive sob um ciclo de notícias extremamente intenso, sendo bombardeado diariamente por escândalos corporativos — como os episódios recentes envolvendo o Banco Master —, além da forte exposição midiática a casos de violência e feminicídio. Esse excesso de "ruído" atua como uma distração constante que desvia o foco do aperto financeiro imediato, fazendo com que o humor geral da população infle e desinfle de forma abrupta, guiado muito mais pela emoção do noticiário do que pelos fundamentos da economia.
Esse efeito é validado pelos dados do estudo parceiro What Worries the World. A percepção de que o Brasil está no "rumo certo" teve um salto expressivo de 7 pontos percentuais em maio, chegando a 39%, e a avaliação positiva da economia avançou 4 pontos. Mesmo assim, o brasileiro continua carregando um fardo estrutural pesado: Crime e Violência (48%) e Corrupção (36%) seguem liderando as preocupações de forma inabalável, impulsionados justamente por essa superexposição midiática.
"O comportamento do consumidor brasileiro em 2026 tem se mostrado altamente dinâmico e sensível ao ciclo de informações do dia a dia. A recuperação da confiança em maio, vinda logo após um recuo severo, reflete como o humor e a percepção do ambiente oscilam diante do volume de notícias diárias, mesmo em um cenário onde a pressão inflacionária real persiste no bolso" afirma Rafael Lindemeyer, Líder do Cluster de Experiencia da Ipsos Brasil.
Ainda segundo Lindemeyer, para as empresas esse movimento reforça a necessidade de "estarem profundamente atentas ao contexto do cidadão para moldar a experiência de forma empática e relevante. Mais do que reagir a variações de curto prazo nos índices econômicos, o sucesso sustentável exige que as marcas permaneçam consistentes em relação ao seu posicionamento, à sua personalidade e à sua estratégia. Trata-se de se adaptar ao momento, sem ser volátil ou oportunista, mantendo-se, acima de tudo, verdadeira à sua essência", conclui.
