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Estado

O Arquivo Nacional realiza, na próxima segunda-feira (22/6), às 14h, o ato de entrada de acervo de parte da documentação produzida pelo Centro de Informações do Exército (CIE) durante a ditadura militar brasileira. São 23 pastas com cerca de 3 mil páginas de documentos que serão incorporados ao acervo da instituição.  

Os documentos passaram décadas em posse do coronel Cyro Guedes Etchegoyen, responsável pela criação da Casa da Morte de Petrópolis (RJ), centro clandestino de repressão utilizado pelo CIE como local de prisão, tortura e desaparecimento forçado durante o regime militar.  

O acervo será entregue pelo Instituto Fernando Santa Cruz e pelo ICL Notícias, instituições que primeiro receberam e divulgaram o material. Participam do ato Felipe Santa Cruz, ex-presidente da OAB e idealizador do Instituto Fernando Santa Cruz, Juliana Dal Piva, jornalista responsável pela série Bandidos de farda, do ICL Notícias, Paula Franco, Coordenadora-Geral de Políticas de Memória e Verdade do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Paulo Thadeu Gomes da Silva, Procurador da República, Monica Lima, Diretora-Geral do Arquivo Nacional, Thiago Vieira, Diretor de Processamento Técnico, Preservação e Acesso ao Acervo, e Thiago Mourelle, chefe do Centro de Referência Memórias Reveladas.  

Sobre o CIE e o aparato repressivo  

Criado em 1967, o CIE atuava ao lado do Centro de Informações da Marinha (Cenimar) e do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa) como parte do aparato de repressão da ditadura. O Arquivo Nacional custodia atualmente apenas parte da documentação do Cisa. A maior parcela dos documentos produzidos pelos órgãos militares ainda se encontra dispersa.  

Sobre o Memórias Reveladas  

A entrega foi intermediada pelo Centro de Referência Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional, cujo objetivo é reunir a documentação produzida durante o período ditatorial. O acesso a esses registros é peça central do direito à memória e à verdade. São documentos que podem contribuir para o esclarecimento de violações de direitos humanos, a identificação de vítimas e a reparação às famílias de desaparecidos políticos.  

Informações sobre a localização de documentos do período podem ser enviadas para: memoriasreveladas@gestao.an.gov.br