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Saúde

Foto: Freepik/@senivpetro

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O recente resultado do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes de Medicina (Enamed), divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), expôs a fragilidade da qualidade do ensino superior no Brasil — e o Tocantins não ficou imune aos reflexos dessa crise. Para o Sindicato dos Farmacêuticos (Sindifato), os indicadores negativos atingem não só o prestígio acadêmico: sinalizam risco direto à eficiência do atendimento multidisciplinar. 

O posicionamento da entidade baseia-se na premissa de que a saúde não é um trabalho isolado. A assistência ao paciente é uma engrenagem onde o médico, o farmacêutico e o enfermeiro precisam atuar em total sintonia. Se um desses pilares apresenta uma formação deficitária, toda a estrutura de cuidado é comprometida. 

De acordo com o presidente Renato Soares, a preocupação reside no "efeito cascata": um diagnóstico impreciso ou uma prescrição inadequada, frutos de uma formação negligente, geram uma sobrecarga imediata nos demais profissionais da ponta. Para o farmacêutico, que atua na dispensação e na vigilância farmacoterapêutica, a debilidade na formação médica aumenta a responsabilidade na detecção de erros, elevando a pressão sobre o sistema e, em última análise, colocando a vida do cidadão em perigo.

O dirigente sindical argumenta que a saúde não admite amadorismo e que o cenário no Tocantins, de expansão de cursos de saúde nos últimos anos, exige fiscalização mais rígida, tanto na estrutura acadêmica quanto no comportamento discente. 

Hiperconectividade

O Sindicato dos Farmacêuticos também observa com preocupação o uso desenfreado de redes sociais por estudantes. A tecnologia, que deveria ser ferramenta de estudo, converteu-se no maior dreno de atenção, resultando em profissionais que, embora conectados digitalmente, estão desconectados da realidade do paciente.

Levando em consideração que a medicina exige presença absoluta, o presidente Renato Soares pondera: um estudante que prioriza as notificações do celular em detrimento da observação clínica perde a oportunidade de desenvolver o olhar humanizado e o raciocínio crítico. 

Para a entidade representativa dos farmacêuticos, é preciso resgatar o rigor: as instituições devem ser cobradas por sua infraestrutura e os alunos por sua postura e dedicação.