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Economia

Foto: Freepik

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Metade dos brasileiros (50%) declara intenção de comprar um imóvel nos próximos 24 meses, segundo a pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O dado vem acompanhado de um retrato importante para 2026: entre os que pretendem comprar, 37% ainda não começaram a busca, 8% já pesquisam on-line e 5% têm visitado imóveis, o que sugere um estoque relevante de demanda “em aquecimento”, sensível a juros e condições de financiamento.

O levantamento também mostra que o mercado seguiu ativo mesmo em ambiente restritivo. Em 2025, o País registrou 453.005 unidades lançadas (+10,6%) e 426.260 unidades vendidas (+5,4%). No quarto trimestre, foram 133.811 lançamentos e 109.439 vendas, com VGL anual de R$ 292,3 bilhões e VGV anual de R$ 264,2 bilhões. A pesquisa acompanha 221 municípios, incluindo capitais e regiões metropolitanas, e reforça que a intenção de compra permanece alta.

Para Fabrício Bellini, CEO da Blue Heaven e especialista imobiliário com mais de 20 anos de atuação, o dado de 50% é mais relevante do que tentar prever o “timing perfeito” do mercado. “Quando a intenção de compra se mantém elevada, o que muda o jogo é a confiança no crédito e o custo da parcela. Uma grande parte do público ainda está no estágio de pesquisa. Com melhores condições de financiamento e bancos calibrando as linhas, esse contingente tende a sair do desejo para a decisão”, afirma.

Na leitura do executivo, o investidor também volta a comparar com mais rigor o custo de oportunidade. “Se a renda fixa entrega menos e o financiamento melhora, o imóvel retoma a competitividade. E os projetos com oferta limitada por regra, localização privilegiada e baixa densidade costumam ser os primeiros a sentir esse deslocamento, porque não existe reposição rápida”, diz Bellini, citando o Aquos, empreendimento em pré-lançamento no Estaleiro, em Balneário Camboriú (SC), como exemplo de produto voltado ao topo do mercado em uma região com restrições urbanísticas e ambientais.

Os dados da CBIC ajudam a entender o comportamento dessa demanda. O tipo de imóvel mais desejado é apartamento (48%), seguido de casa em rua (34%) e casa em condomínio (15%). O principal motivo de compra é sair do aluguel, seguido por busca de mais espaço e saída da casa dos pais. Para 2026, a combinação de intenção de compra elevada, expectativa de queda de juros e melhora do crédito tende a definir o ritmo do setor, com atenção especial para o quanto essa demanda “em espera” vai, de fato, se converter em transações.