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Análise Econômica

Marcos Weigt é diretor de tesouraria do Banco Travelex

Marcos Weigt é diretor de tesouraria do Banco Travelex Foto: Divulgação

Foto: Divulgação Marcos Weigt é diretor de tesouraria do Banco Travelex Marcos Weigt é diretor de tesouraria do Banco Travelex

O dólar iniciou 2025 em patamar elevado frente ao real, superando R$ 6,15 logo em janeiro. O movimento refletiu, em parte, a manutenção de juros altos nos Estados Unidos e, em parte, a percepção de aumento do risco doméstico, influenciada por dúvidas sobre a trajetória fiscal e incertezas no ambiente político-econômico. Nesse contexto, o diferencial de juros entre Brasil e EUA foi insuficiente para conter a pressão compradora sobre a moeda americana nos primeiros meses do ano.

Com o passar do tempo, porém, parte das expectativas que haviam impulsionado o dólar se mostrou mais intensa do que os fundamentos sugeriam. A hipótese de uma guinada tarifária imediata nos EUA, que havia influenciado projeções no fim de 2024, foi substituída por uma postura mais pragmática da nova administração americana. Esse reposicionamento contribuiu para reduzir a tensão nos mercados. A taxa Selic, em níveis elevados, também atuou como fator de equilíbrio, permitindo alguma recomposição do real. Não se tratou de uma solução definitiva para os desafios locais, mas de uma correção de parte dos excessos observados no início do ano.

O segundo trimestre marcou o início de um ambiente externo mais favorável às moedas emergentes. O dólar se enfraqueceu globalmente, o índice DXY recuou e discussões sobre diversificação cambial ganharam visibilidade. O Brasil acompanhou esse movimento como parte de um ajuste mais amplo. Nesse cenário, o câmbio encontrou um ponto de maior estabilidade, distante das tensões que caracterizaram o começo de 2025.

Desafios para 2026

Se 2025 foi um período de recomposição após meses de forte volatilidade, 2026 tende a exigir maior atenção aos fatores que influenciam o câmbio. No início do ano, o foco permanecerá nos EUA: indicadores de atividade, emprego e inflação deverão orientar as expectativas em torno do ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve. Caso esse processo avance, é possível que o dólar siga perdendo força globalmente, o que também poderia favorecer o real no curto prazo.

A partir do segundo trimestre, entretanto, o câmbio brasileiro deve responder mais diretamente aos elementos internos. A evolução do ambiente político, a percepção sobre a sustentabilidade das contas públicas e a capacidade de execução de políticas econômicas serão fatores relevantes para o prêmio de risco e, consequentemente, para a trajetória da taxa de câmbio. Em um contexto de menor proteção garantida pelo cenário internacional, sinais consistentes de previsibilidade e responsabilidade fiscal tendem a ganhar importância.

Assim, 2026 se apresenta como um ano em que oportunidades e riscos coexistem. Um ambiente externo mais benigno pode abrir espaço para um real mais valorizado, especialmente se acompanhado de avanços na agenda doméstica. Por outro lado, a ausência de clareza na condução das políticas públicas pode limitar esse potencial, reforçando a volatilidade e preservando parte das incertezas vistas nos últimos anos.